Vídeo: Miguel Viegas

A Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes quer ver a região a aproveitar o potencial que tem na área do enoturismo. O primeiro passo para a concretização deste objetivo foi um dia em que nove produtores estiveram de portas abertas para receber visitantes. A iniciativa repete-se a 5 de setembro de 2020.

Luísa Teresa Ribeiro
22 Set 2019

Ficar numa suite individual, com piscina, lareira e enoteca privativas, degustar uma refeição com a assinatura do chefe Carlos Silva acompanhada pelos vinhos da Quinta da Lixa, enquanto os olhos deambulam por vinhas a perder de vista, ou retemperar energias num SPA são algumas das propostas do Monverde Wine Experience Hotel, em Amarante.

Pensado inicialmente para dar resposta à necessidade de alojamento dos parceiros de negócios da Quinta da Lixa, o projeto acabou por ganhar uma dimensão completamente diferente, com a recuperação dos edifícios da propriedade e a criação de serviços diferenciadores.

Inserido numa quinta com 30 hectares, é atualmente o único hotel vínico da região dos Vinhos Verdes, já tendo recebido vários prémios internacionais.

Com 46 quartos, a unidade hoteleira tem em fase de lançamento um novo espaço, composto por 16 suites de luxo, uma adega experimental e um túnel sensorial. «Esta é uma unidade de enoturismo para a região», afirma Óscar Meireles, responsável pela Quinta da Lixa, referindo que a empresa acredita no potencial da zona onde está inserida, por isso «pôs os ovos todos no mesmo cesto».

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes quer ver replicados projetos desta natureza, tirando proveito do potencial que existe na quase meia centena de concelhos que compõem a área demarcada.

«Esta unidade de alojamento gera dezenas de postos de trabalho no vale do Sousa. Este modelo pode existir no vale do Lima, do Minho ou do Cávado, com formatos diferentes, seja com produtores grandes ou pequenos», defende o presidente daquela instituição.

Manuel Pinheiro argumenta que a região dos Vinhos Verdes tem as condições ideais para o desenvolvimento do enoturismo, destacando a característica «fabulosa em termos turísticos» que é a proximidade: um visitante pode combinar, num fim de semana ou em alguns dias de férias, uma visita ao património edificado de uma cidade, como Braga, Guimarães, Viana do Castelo ou Porto, ou uma ida a um parque natural com uma visita a um produtor de vinho, desfrutando da gastronomia e da hotelaria local.

«Quem visitar uma grande cidade da região, em 15 ou 20 minutos pode estar num produtor de vinhos», refere este responsável.

«O enoturismo – o turismo do vinho – é uma ligação perfeita para a oferta turística que a região já tem. É algo que enriquece a região do Minho e todos estes concelhos, que já tem uma oferta fantástica», afirma o presidente da Comissão dos Vinhos Verdes.

Manuel Pinheiro declara que «o enoturismo é uma alavanca de geração de riqueza e de postos de trabalho na região porque vai dinamizar atividades nos diferentes concelhos» desta área demarcada.

Em seu entender, «o desenvolvimento desta atividade vai gerar riqueza e ajudar os pequenos produtores a colocarem o seu vinho diretamente junto dos clientes».

«O turismo pode-se sempre desenvolver. É muito flexível. O Vinho Verde é o vinho ideal para uma aposta nesta área, uma vez que é um vinho com menos álcool, que podemos beber à refeição e continuar a viagem com todo o conforto», acrescenta, em declarações ao Diário do Minho.

Diversidade de projetos

A região dos Vinhos Verdes é composta por projetos muito diversificados, capazes de responder aos gostos específicos de diferentes públicos, como foi possível constatar no dia de portas abertas, que decorreu a 7 de setembro.

Aderente a esta iniciativa, a Quinta das Arcas, em Valongo, a trabalhar desde 1985, cultiva 200 hectares. Com 47 funcionários, uma boa parte dos quais na área da viticultura, tem vindo a apostar na vindima mecânica para colmatar a falta de mão de obra e aproveitar as potencialidades da mecanização, designadamente a recolha das uvas durante a noite.

Produz anualmente 2,5 milhões de garrafas, sendo 40 por cento da produção destinada à exportação para mais de 30 países, entre os quais se destacam os EUA, França, Alemanha e Reino Unido. Os seus vinhos têm recebido distinções internacionais.

Conhecida pelos loureiros e rosados, a propriedade de Esteves Monteiro optou por dar a conhecer os seus alvarinhos, numa prova para os jornalistas, inserida numa visita aos produtores promovida pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.

A ideia foi mostrar que estes «são vinhos muito sérios, que devem ser tidos em conta», diferenciando-se pelo facto de serem oriundos de um “terroir” com solo de xisto.

A quinta apresentou também um vinho biológico, de 2015, feito com uvas de vinhas com 60 a 80 anos, e um vinhão. A acompanhar não faltou o queijo ali produzido.

Em Felgueiras, a Quinta de Maderne recebeu os visitantes com os premiados vinhos da propriedade a acompanharem a recriação de uma merenda das vindimas com a assinatura do chefe Luís Portugal, que viu a Tasca do Zé Tuga, em Bragança, ser distinguida pelo Guia Michelin pela relação qualidade/preço.

Com 30 hectares, a empresa familiar de Manuel Faria dedica-se à produção de vinho, lançando no mercado entre 150 a 200 mil garrafas, e de kiwis, mas também ao turismo, com as vertentes de alojamento e de eventos, tirando partido das casas antigas que foram recuperadas mantendo a traça rústica.

Atualmente, tem dois quartos para receber hóspedes, mas o objetivo é aumentar para dez, de forma a responder à procura crescente que se verifica relativamente a este tipo de experiências. A ideia passa ainda por rentabilizar uma área de quatro hectares de bosque, onde não faltam os esquilos.

Rota dos Vinhos Verdes convida à descoberta

A Rota dos Vinhos Verdes abrange 49 concelhos do Noroeste de Portugal, nos quais o Vinho Verde «serve de mote para partir à descoberta de quintas, adegas, restaurantes, unidades de alojamento e empresas de animação turística que oferecem diversas propostas de atividades e itinerários, proporcionando experiências culturais associadas à temática do vinho», refere a Comissão de Viticultura.

Para além de coordenar as atividades propostas pelos operadores, segundo a mesma fonte, a Rota dos Vinhos Verdes «apresenta um plano de ações anual, do qual fazem parte as caminhadas pelo território, provas e circuitos temáticos e uma abordagem pedagógica».

Rota recebeu mais de 1600 visitantes

Mais de 1600 visitantes passaram, no dia 7 de setembro, por nove quintas da Rota dos Vinhos Verdes, naquele que foi o primeiro dia de portas abertas da região.

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes disponibilizou autocarros com partida de Braga e do Porto, para que os participantes pudessem ir à Quinta de Soalheiro (Melgaço), Palácio da Brejoeira (Monção), Quinta do Tamariz (Barcelos), Quinta da Tojeira (Cabeceiras de Basto), Quinta de Santa Cristina (Celorico de Basto), Quinta de Lixa (Felgueiras), Quinta de Maderne (Felgueiras), Quinta das Arcas (Valongo) e Quinta da Aveleda (Penafiel).

O presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes considera que esta iniciativa foi um «enorme sucesso». Entre as 10h00 e as 19h00, os nove produtores participantes mostraram as suas vinhas, adegas e produtos, dando a conhecer os vários perfis de vinhos da região dos Vinhos Verdes, a um número de visitantes que superou as expetativas. Destaque para a adesão da comunidade brasileira a este evento.

«Este é um dia muito especial, porque estamos a lançar o enoturismo na região dos Vinhos Verdes», afirma Manuel Pinheiro em declarações ao Diário do Minho.

Aquele responsável classifica o dia de portas abertas como «muito importante» na medida em que proporcionou «experiência e rotação». «Esta iniciativa permite que os produtores fiquem a conhecer as preferências dos visitantes. Isto contribui para uma melhoria da oferta, de modo a que possamos transformar uma pequena experiência no que amanhã pode ser um grande negócio de enoturismo na região do Minho», diz.

«Este é o ano zero do dia de portas abertas para o enoturismo na região dos Vinhos Verdes. Para o ano, vamos ter mais produtores e mais visitantes, com um programa mais diversificado. Os produtores que veem que este modelo funciona vão ficar abertos ao longo do ano, havendo um efeito multiplicador», perspetiva.

Manuel Pinheiro lembra, no entanto, que «esta é uma iniciativa que não se esgota numa data anual, mas que se amplia no trabalho que vai ter seguimento na formação em Enoturismo, integrada no plano da Academia do Vinho Verde para este ano, em parceria com o Turismo de Portugal», pois «é necessário qualificar a oferta existente na região».

O líder da Comissão de Viticultura admite que «a maior parte» do trabalho de qualificação ainda está por fazer, daí a oferta desta formação, que permitirá criar as condições para que a região possa oferecer aos visitantes «mais e melhores serviços».




Outras Reportagens


Scroll Up