Espaço do Diário do Minho

Poucos e fracos

31 Jul 2020
Artur Soares

Escrever é um dom ou um defeito? Quem poderá provar que escrever é formar e ser agente de paz? Mas será que escrevendo se abrem caminhos, colocando sementes nas mentes para analisar? Escrever, não será atirar sementes para entre pedregulhos? Dizia-me um Mestre há mais de vinte anos: “ando a pregar o amor há cinquenta anos e ainda hoje não sei se tem valido apena!” Eu também sinto igual: escrevo há cinco décadas e ainda hoje não sei se consegui algo de bom, fruto dos meus escritos!

Se vejo televisão, ouço notícias de maus acontecimentos; políticas de ocasião sem nexo; economia, ensino e saúde de rastos; desprezos e atentados reais contra a natureza, etc. Se leio jornais ou revistas – com as devidas excepções – leio misérias sociais: desempregos, doenças, vida rapace, assassinatos, suicídios, incestos, mentiras, publicidade política e muito mais se podia mencionar! Na verdade o país tem poucos e fracos líderes!

Repare-se que em menos de 10/15 anos, tivemos a crise iniciada pelo PS de José Sócrates; tivemos o saco azul Vieira e Sade; tivemos a bomba Ricardo Salgado/BES; tivemos e temos a Operação Marquês de Sócrates; tivemos Passos Coelho e Paulo Portas a colocar Portugal em estado de coma pelas ordens da troyca; tivemos as legislativas de 2015 que António Costa – qual Lenine ou Hitler – apagou, formando a geringonça; tivemos as desgraças e as mortes dos incêndios de Pedrógão e a miséria miserável de como ainda se encontra, atendendo à distribuição de dinheiros públicos e privados em prol das habitações ardidas; tivemos o famoso caso de Alcochete (assalto a jogadores); tivemos juízes na teia da corrupção, tivemos a pirataria de Rui Pinto e muito mais se podia escrever, infelizmente.

No momento que vivemos, temos o vírus chinês. O que se constata? Desorientação na sua anulação, mentiras e publicidade governamental. A par desta desolação activa, vemos especuladores, falsos negócios, adivinhos, charlatães bem falantes e videntes na comunicação social. Desse modo, lembrando especuladores, temos aquele caso que a Polícia Judiciária averigua, dos cinco elementos que em “clinicas médicas” amealhavam resmas de euros sacados à ADSE, aplicando em doentes coronavirados ozono no corpo, convencendo-os que a ozonoterapia era eficaz no combate ao covid.

Nos falsos negócios, quem desconhece os milhares de milhões enterrados na banca, roubando os impostos do Estado e atirando para o charco milhares de pessoas que, pertencendo a uma classe que se podia chamar de média, desgraçou, empobreceu. Ora a chamada elite, os tais poucos mas fracos deste país, buscando dinheiro onde quer que o sinta, é, sem sombra de dúvidas a elite lisboeta, que sempre viveu além das suas possibilidades, como diz o Ministério Público. Elite que vive nos corredores do poder e querendo cegar com areia os portugueses, não tiveram pejo em afirmar que punham as mãos no fogo pelos “donos disto tudo”.

Continuando à volta dos especuladores pós pandemia, recordemos que no meio do mês de Maio passado a Ministra da Saúde disse na televisão que os Serviços de Saúde e seu profissionais estavam exaustos e a fazer tudo o que era possível para salvar os coronavirados e que os hospitais privados tinham fugido ou se tinham escondido, fechando as portas aos portadores do covid-19. E que acontece então desde a segunda quinzena de Maio para cá? Certos hospitais privados, apontam a pistola à testa dos utentes para medir a febre, convidam-nos a desinfectar as mãos e cobram cinco euros a cada utente por taxa coronavírus e por um só atendimento. Argumento para quem reclama: é para pagar as máscaras do pessoal e para a desinfecção hospitalar. Ora esta desinfecção hospitalar, segundo o seu pessoal, é a mesma que existia antes da pandemia e que eu mesmo pude comprovar. Fugiram à pandemia, esconderem-se, fecharam as portas à pandemia e, agora, aproveitam-na para cobrar mais de mil euros diários a quem é proibido de entrar no hospital com pandemia! Para atitudes destas, é difícil arranjar termo para as classificar.

Poucos e fracos, é o título do presente texto. Passará o Primeiro-Ministro de Portugal, doravante, a prestar contas no Parlamento de dois em dois meses, em vez de duas vezes por mês, conforme votação do PSD e que Costa agradeceu. Virão milhares de milhões de euros para atenuar o tombo covid. O dinheiro tem de ser discutido, bem empregue, vigiado. Saber-se para quem vai, para que áreas, para que projectos, para que localidades pouco ou muito afectadas e que transparência haverá nessa distribuição. Desse modo, pouco ou nada se poderá fiscalizar. O Governo PS e o PSD cortam à democracia e o povo põe a máscara – tendo como única hipótese pedir a Deus que o livre de todos os males.

(O autor não segue o novo Acordo Ortográfico)



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