Espaço do Diário do Minho

O “devido respeito”

22 Fev 2021
Narciso Mendes

A nova, mas já velha, onda de políticos forjados nos braseiros ideológicos do assalto ao poder, encetado em 25 de Abril, rapidamente passaram a apoucar deveres importantes na sociedade. E um deles foi o do respeito, na verdadeira aceção da palavra, usando sobre ele o escárnio de ter sido, dizem, um bafiento “respeitinho” vindo do salazarismo. Daí, que já poucas pessoas se admirem com a ausência dele em relação às pessoas, aos nossos heróis, património, ambiente, autoridades, etc., Senão, veja-se como hoje se fala ao Presidente da República (PR) ou ao Primeiroministro, sem qualquer deferência no trato.

Ademais, já tivemos a cavalgar essa onda de desrespeito um jornalista que chamou “palhaço” a Cavaco Silva quando, este, era PR. Trata-se de um comentador televisivo com ar e voz de “durão” pensando, com isso, obter créditos. Já o ex-PR, esse, voltaria a ser visado, por um grupo de manifestantes, de “gatuno”. Pelo que achei pertinente referir-me a uma notícia, do JN, que dava conta da detenção – pela polícia – de um cidadão a servir-se da Bandeira Nacional (BN) numa ação de limpeza.

Ora, o ultraje à BN não é de agora. Já vem de 22 de Julho de 1973, quando o Chefe do Governo português, de então, foi em visita oficial a Londres. Aí, um destacado político, já desaparecido, instigou a que ela fosse queimada em solo britânico. Símbolo sob o qual juraram defender a Pátria milhares de militares portugueses tais como os, entretanto falecidos, Marcelino da Mata, soldado promovido a Tenente-coronel por heroísmo e bravura em combate e o meu conterrâneo, António Batista, elevado ao posto de furriel, pelos mesmos motivos.

A propósito cito Vasco Lourenço, “inepto” militar de Abril, que veio apelidar Marcelino de “Rambo”, olvidando os “Rambos” do outro lado da guerra colonial que esquartejaram – à catanada, ou à base de minas – colonos e tropas lusas. Cujas partes mutiladas dos corpos eram espetadas em fueiros sob aqueles solos africanos, mais tarde, entregues de mão-beijada às forças apoiadas por Moscovo.

Com efeito, segundo o Artigo 11º, parágrafo 1 e 2 da nossa Constituição, a Bandeira e Hino da Nação (HN), são símbolos máximos de soberania da República, independência, unidade e integridade de Portugal. O que já vem de longe, cujo sentido do dever nos ditava não só tirar o chapéu à sua passagem como, também, ouvir ou entoar o HN de pé e em sentido. Artigo constitucional, sobre o qual vai sendo feita tábua rasa. Senão, veja-se não só o uso e abuso constantemente cometidos sobre a BN e HN, enxovalhados nos mais banais momentos da vida mundana que nos rodeia.

Vamos por essas aldeias fora e o que vemos? A BN hasteada nas árvores e ramadas das vinhas, ali deixadas há quase 20 anos, assim como nas varandas das casas em ruas e vielas – sujas e rotas – como autênticas “rodilhas”. Há-as por todo o lado: em cafés, restaurantes e, até, nos mais repugnantes lugarejos ou, às vezes, coladas ao corpo em dias de bola, ou de qualquer desporto, como se fossem “trapos” de moda.

Já tivemos, aqui há uns anos, um artista plástico levado a tribunal pelo crime de uso indevido da BN em determinado trabalho universitário. Porém, não só foi absolvido como premiado com 17 valores. Mas não só. Em 2006, a PSP apreendera, numa loja de eletrodomésticos, cerca de um cento delas por ostentarem símbolos de publicidade. E num conhecido hotel de 5 estrelas, foi mandada retirar do chão uma BN, em forma de capacho, de serventia ao calçado. Sucedendo o mesmo à oferecida pelo Semanário Expresso, no Euro 2004, a qual tinha os logotipos do BES e Millennium o que, segundo o art.º 332 do Código Penal, constitui crime. Só que, foi-se a ver, nada.

Por isso promova-se o “devido respeito”, a fim de que se deixe de entoar o HN em tom de FADO, POP, ROCK, ou PIMBA, de cócaras, aos saltos, de barrete na cabeça, BN na mão, ou a servir de “echarpe”. E que o direito à liberdade não obstrua o patriotismo que dizemos sentir por Portugal.



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