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Grupo de pais, professores, epidemiologistas e pediatras pede regresso dos mais novos às aulas

Reabrir as creches e os estabelecimentos de educação pré-escolar no início de março e o ensino básico a partir do início de março, gradualmente, a começar pelos 1º e 2º ciclo.

Pedro Vieira da Silva
23 Fev 2021

«Somos um grupo de cidadãos e cidadãs, pais, professores, epidemiologistas, psiquiatras,  pediatras e outros médicos, psicólogos, cientistas e profissionais de diferentes áreas, que se dirigem a V. Exas. para que a escola, um serviço essencial, reabra rapidamente em moldes presenciais, com segurança e de forma contínua, começando pelos mais novos», é desta forma que a “Carta Aberta: Prioridade à escola” pede ao primeiro-Ministro António Costa, ao Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, à Ministra da Saúde, Marta Temido, aos restantes membros do Governo, e ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que «sejam protegidos os direitos de sectores da população que já pagaram caro pela crise atual e aos quais atualmente apenas garantimos o papel de devedores perpétuos».

«Conscientes do crescente contágio das variantes e da capacidade limitada dos nossos serviços de saúde, vimos apelar a uma reabertura das escolas com segurança para todos:

– Providenciar meios efetivos às escolas para, cumprindo as orientações, permitir em todo o país o regresso ao ensino realmente presencial (e não meras aulas à distância na escola) para todas as crianças e jovens beneficiários da ação social escolar, sinalizadas pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, ou para as quais a escola considere ineficaz o ensino a distância e estejam em risco de abandono escolar.

– Reabrir as creches e os estabelecimentos de educação pré-escolar no início de março.

– Abrir o ensino básico a partir do início de março, gradualmente, a começar pelos 1º e 2º ciclo.

– Manter e reforçar as medidas existentes; arejar os espaços, manter distâncias entre assentos, manter os mesmos lugares de assento nas salas de aula, e evitar o agrupamento de pais e alunos; reforçar o rastreamento e assegurar a quarentena de crianças e jovens em risco;

– Tornar a máscara cirúrgica obrigatória desde os 6 anos fornecida pela escola;

– Insistir na proibição, em tempos de grande pressão, de reuniões fora da escola;

– Incentivar o uso de meios de transporte alternativos, como bicicletas, para ir à escola; aumentar a oferta de transporte público durante o horário escolar;
Desfasar ainda mais os horários de entradas e saídas para evitar agrupamentos nestes horários;

– Fazer o rastreio periódico da infeção em amostras da população escolar de modo o identificar infecções assintomáticas ou pré-sintomáticas;

– Após o pessoal de saúde idosos e grupos de risco, incluir professores e auxiliares de ação educativa nos grupos prioritários de vacinação;

– Permitir que os professores de alto risco sejam substituídos por outros ou deem aulas remotamente (com os alunos na escola) até que estejam vacinados;

– Reforçar ou criar um espaço específico em cada escola ou agrupamento de escolas para aplicar testes rápidos de antigénio e iniciar os procedimentos de isolamento e quarentena;

– Fazer a vigilância de contágios nas escolas publicitando regularmente a sua frequência e tomar atitudes com base nesses e outros dados, agindo em função do risco na região, tipo de escola e idade dos alunos;
– Manter contacto regular entre os diretores das escolas e as estruturas relevantes de saúde pública por forma a melhorar a gestão dos surtos, evitando medidas gerais e tardias que abrangem todas as escolas», estas são as medidas preconizadas pelo alargado grupo.

Estes defendem que «o sucesso de uma política não se mede apenas contando o número de infecções hoje, mas levando em consideração muitos outros fatores socioeconómicos e psicológicos, mas também consequências de saúde, física e mental, no presente e no futuro».

«Durante o primeiro período, as medidas sanitárias nas escolas impediriam numerosos casos e clusters (só houve 800 turmas que tiveram que fechar em todo o país neste período). No mês de fevereiro, nas 700 escolas que estão em funcionamento para acolher os filhos dos profissionais essenciais, só 25 casos positivos resultaram dos 13 mil testes realizados. Estes dados demonstram que é possível manter a pandemia sob controlo mantendo as escolas abertas, desde que com as devidas precauções.

– A evidência empírica mostra que o encerramento de escolas se associa a uma diminuição dos casos na população e assim facilita o controlo da epidemia, mas não é indispensável para controlar a epidemia, sendo possível fazê-lo mantendo as escolas abertas, com as devidas precauções. Um largo conjunto de investigações mostrou que as escolas não são contextos relevantes de infeção e, durante o primeiro período, as medidas sanitárias em vigor nas escolas provaram que o curso da epidemia foi independente das escolas estarem abertas.

– Estudos em vários países, e a experiência clínica de alguns dos signatários desta carta, mostraram o aumento de problemas psicológicos e psiquiátricos das crianças e jovens associados ao confinamento e ao fecho das escolas(depressão, ansiedade, perturbação alimentar, auto-lesões etc.).», defendem ainda.





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