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Sociedade civil quer ajudar a moldar o futuro da Europa

Comité Económico e Social Europeu determinado em contribuir para a Conferência sobre o Futuro da Europa.

Luísa Teresa Ribeiro
10 Mar 2021

O Comité Económico e Social Europeu (CESE) está determinado em dar o seu contributo para a Conferência sobre o Futuro da Europa. Representando a sociedade civil organizada dos estados-membros, este organismo apresenta-se como uma ponte para levar a discussão sobre o projeto europeu ao encontro dos cidadãos.

Este propósito de alargar o debate para além da «bolha de Bruxelas» foi apresentado pela presidência do CESE na quarta edição do seminário para jornalistas, que decorreu por videoconferência dada a situação de pandemia, tendo como tema “A Conferência sobre o Futuro da Europa como ponto de viragem para a União Europeia”.

A presidente deste órgão consultivo referiu que a UE está «num ponto de viragem» na sua história, em que é preciso «juntar forças e desenvolver uma visão de uma Europa mais forte no pós-Covid».

Christa Schweng lembrou que a Covid-19 atrasou o início da Conferência sobre o Futuro da Europa, mas «também a tornou mais urgente e relevante do que nunca». «Um ano depois do inicialmente planeado para o lançamento da Conferência, as prioridades mudaram, com a união na área da saúde a tornar-se muito mais proeminente. A pandemia forçou-nos a tomar medidas políticas fundamentais para apresentar o plano de recuperação. Esta prova de generosidade não pode, contudo, ser um ato isolado de reação à emergência», afirmou.

Na sua perspetiva, a Conferência sobre o Futuro da Europa tem de «cimentar estas conquistas e assegurar uma melhoria a longo prazo no projeto europeu, que não deixe ninguém para trás e que espalhe esperança em vez de medo».

A Conferência sobre o Futuro da Europa surge, assim, como «uma oportunidade única para a sociedade europeia moldar o futuro do continente, encontrar uma nova narrativa para a Europa e aumentar o envolvimento dos cidadãos no projeto europeu». «A conferência tem de ser verdadeiramente inclusiva, num modelo da base para o topo e ser capaz de apresentar resultados concretos, caso contrário pode ser contraproducente», advertiu.

Esta responsável destacou que o CESE «tem agora a oportunidade de mostrar o seu valor acrescentado e funcionar como um facilitador para este importante processo».

Em seu entender, «não pode haver uma Conferência sobre o Futuro da Europa bem-sucedida sem um forte envolvimento da sociedade civil», sendo que, «entre as instituições da União Europeia, o CESE desempenha o papel único de ligação entre os diferentes atores-chave da sociedade civil, como empregadores, trabalhadores e diversas organizações, trabalhando em busca do consenso».

«Os nossos membros vêm de diferentes organizações, que representam todos os quadrantes de vida de todos os estados-membros».

A dirigente declarou que o CESE espera ser reconhecido como parceiro permanente neste processo, no papel de observador, estando já a trabalhar para apresentar propostas concretas. «Criámos um grupo Ad Hoc sobre a Conferência, que já se reuniu diversas vezes, delineámos uma agenda com propostas muito concretas e estamos agora a construir um amplo plano de ação», revelou.

Christa Schweng adiantou que o CESE está a «começar a reflexão sobre o que pode ser uma nova narrativa para a Europa». «Temos de convencer as mentes e mover os corações dos cidadãos, especialmente os mais novos», argumentou.

A presidente do CESE assegurou que este organismo «pode contribuir para a Conferência sobre o Futuro da Europa usando a sua vasta rede, que tem raízes na sociedade civil e sólida experiência no envolvimento dos cidadãos», para que se possa ouvir a voz dos «empregadores, trabalhadores e sociedade em geral».

Lembrando com que o CESE já promoveu em 2017 uma reflexão sobre o futuro da Europa, a dirigente austríaca defendeu que o Grupo de Ligação será um instrumento «precioso» neste esforço de «proporcionar um fórum de diálogo político e de canal de comunicação entre a União Europeia e as organizações que o CESE representa». «O CESE está comprometido e determinado em dar o seu contributo para este exercício importante e único, sendo a voz da sociedade civil neste debate político», concluiu.

Recorde-se que o primeiro-ministro português participa, hoje, em Bruxelas na cerimónia de assinatura da declaração conjunta que institui a Conferência sobre o Futuro da Europa.  O documento é assinado às 13h00 (12h00 de Lisboa), por António Costa, em representação do Conselho da União Europeia, pelo presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O evento pode ser acompanhado aqui.





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