Espaço do Diário do Minho

O exemplo e o mérito

4 Abr 2021
Paulo Sousa

As crises sempre abriram as portas à Oportunidade. Ninguém duvida que assim é e no mundo empresarial, os líderes destacam-se por terem esta visão que faz sobressair o que de melhor há em si: a visão de risco.

Há felizmente bons exemplos na nossa sociedade e em particular no Minho que tem contribuído para desmistificar uma imagem associada à indiferença, ao comodismo, ao egoísmo e com alguma naturalidade à má governança. Ricardo Costa é o contrário disto tudo, quer no Grupo Bernardo da Costa, quer no seu papel solidário na sociedade, quer na sua visão particular do trato humano, o futuro líder da Associação Empresarial do Minho inspira e transpira atributos que reconheço em muitos empresários que ainda estão em minoria no universo empresarial. A sua sagacidade é um exemplo que merece ser destacado, precisamente num momento em que se apresta para unir a classe em torno de uma nova associação, acabando com a orfandade deixada pela antiga Associação Industrial do Minho e pela “falência” da Associação Comercial e Industrial de Guimarães.

Acresce que esta visão recoloca o associativismo no seu lugar e tem o condão de aparecer num momento particularmente importante para o país e particularmente para a região com a chegada de uma “bazuca” financeira que exigirá rigor e capacidade de alavancagem a quem é seguramente um dos principais visados: o setor empresarial.

Destaco, ainda, nas suas primeiras declarações públicas, a preocupação de restringir nos estatutos da AEM, os mandatos da liderança empresarial, o que não é de somenos se olharmos para trás. Ricardo Costa tem, assim, todas as condições para fazer sobressair, a partir de Maio, o que de melhor tem feito enquanto empresário, esperando-se que possa convencer, pelo seu exemplo, outros empresários a juntarem-se aos que têm feito um caminho exemplar na diversidade de setores que caracteriza a atividade económica na região.

A sua iniciativa coincide no tempo com outro bom exemplo: a criação da Confederação Empresarial da Região Minho, tão importante quanto o aparecimento da AEM. Pela primeira vez, as associações uniram-se. São doze, representativas de uma economia regional que se tem destacado cá e lá fora, seja na capacidade inovadora, seja na internacionalização e em particular na exportação de bens e serviços.

Não sei se o empresário se automotivou ou se inspirou na iniciativa da Associação Comercial de Braga, que recentemente alterou os seus estatutos para incorporar a indústria de Braga, mas há que reconhecer que a equipa da ACB, agora denominada Associação Empresarial de Braga, teve o mérito e a ousadia de dar um passo em frente.

Todos unidos, ao que parece, para defender o que deve ser lido como estratégico na defesa de uma economia que, apesar de abalada pela Pandemia, tem mostrado uma resiliência merecedora de destaque. Braga e o Minho têm todas as condições para continuar a trilhar um caminho vencedor, esperando-se que a pujança do movimento associativo traga, também, uma mudança no capítulo da governança empresarial e seja inspiradora para a capitalização de boas práticas que muitos souberam concretizar porque foram corajosos no momento de se capacitarem face aos desafios de uma economia aberta como a nossa. Esta mudança requer particular foco naquele que é um dos vetores e o recurso mais valioso dentro de uma empresa: os colaboradores.

Ricardo Costa – já aqui falei da forma inspiradora de José Teixeira no capítulo da Cultura – teve o condão de criar um departamento dedicado à felicidade humana, o que lhe confere um estatuto que muitos ainda não perceberam, ser uma marca valiosa. Aqueles que ainda acham que os seus recursos humanos são apenas números e só são importantes para a produção de riqueza, têm os dias contados.

Quem estiver atento ao que se passa na Europa comunitária, verá este exemplo replicado em múltiplos setores e múltiplas regiões. Os “velhos do Restelo” (infelizmente alguns são novos), ou não sabem fazer contas, ou o seu atavismo não foi bem assimilado e diria mesmo não foi em muitos casos, dissecado o suficiente para assumirem no seu DNA, as boas propriedades de quem os inspirou.

Há uma responsabilidade que reitero, é fundamental, se quisermos contaminar a classe empresarial e essa cabe por inteiro ao setor da Educação e em particular às universidades. Já se veem mudanças na articulação dos saberes, na visão horizontal do conhecimento, falta, mesmo, é medir o grau de sucesso desta intervenção para que se possa multiplicar o exemplo de Ricardo Costa.



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