Espaço do Diário do Minho

O governo vai desconfinar?

7 Abr 2021
Francisco Mota

No desconfinamento do País já não são apenas as questões económicas que estão em causa, mas a própria saúde mental e física, o desenvolvimento e a interação social, as aprendizagens – no caso das crianças – ou o definhar – no caso dos mais velhos. Olhando para este panorama, a urgência de voltar a uma normalidade, mesmo que condicionada, impõe-se e obrigaria a um planeamento, antecipação de cenários e de uma coragem política desmedida para enfrentar o amanhã.

Tive a oportunidade de escrever na altura da apresentação do dito plano, que a receita era, precisamente, a mesma: um prato frio servido de nada, um plano em banho-maria, que dá para tudo e não dá para nada, com a devida pitada de medo, servido com o veneno do costume: se isto falhar a culpa é nossa e rapidamente voltamos todos para casa de castigo. No meio disto e à boa moda socialista anuncia-se um cardápio de medidas de apoio à economia e às empresas que vão tardar a chegar, ou nunca chegarão mesmo.

Posto isto, e vários dias depois do início do desconfinamento, e por consequência do comprimento do Plano apresentado pelo Governo, percebemos que continua a prevalecer desorientação e falta de liderança na gestão da pandemia. Não podemos continuar resignados ao vírus, à pandemia e à incerteza. Já lá vai mais de um ano do início desta batalha e convém desmistificar, de uma forma clara, aquilo que deveria ser atuação e que há soluções, basta o Governo trabalhar, coordenar e responder e não apenas actuar de vaga em vaga com desculpas de mau pagador.

1- Com a abertura do País é normal que se verifique o aumento de casos e isso não nos deve preocupar, colectivamente, desde que os números de vacinação que nos são apresentados correspondam à verdade. Idosos, grupos de risco, profissionais de saúde, mais as imunidades por transmissão do vírus vão permitir, tal como aconteceu em Israel, uma diminuição drástica de internamentos no SNS, sobretudo nos cuidados intensivos (UCI). Assim sendo, os critérios do Governo assentes no número de casos, não fazem sentido. O que deve ditar, daqui em diante, são os internamentos e não os contágios.

2- O controlo da rede de contágios é uma das ferramentas mais importantes no combate à pandemia e no seu controle. É inaceitável que o Governo, um ano depois, não tenha resolvido esta falha gravíssima. Esperemos que a partir de agora não se demore mais de 24h a isolar os contactos de alto risco.

3- A vacinação é a arma fundamental para vencer esta guerra, sendo rara, a sua administração e logística não podem falhar. Em boa hora colocaram as forças armadas na liderança deste processo, cabe à tutela e à diplomacia portuguesa garantir que não falham na entrega das doses desejadas e na data estipulada.

4- A testagem em massa e permanente em locais como escolas, universidades, centros de dia e IPSS´s são imprescindíveis e não basta anunciar é preciso concretizar. Estas primeiras semanas ditaram que existiu um redução do número de testes e com um desconfinamento cada vez maior, sobretudo nas escolas e universidades não se pode falhar, aqui a descentralização deste processo e a autonomia dos estabelecimentos de ensino seriam a melhor solução.

Com abertura gradual do País, a decorrer, há cada vez menos espaço para erros e esta resposta, sem falhas, é fundamental que aconteça e que fique a esperança de ver, a partir de agora, um Governo que não se acomoda ao tempo, esperando o milagre do vírus.



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