Espaço do Diário do Minho

Exemplos a seguir e a evitar

8 Abr 2021
João Gomes

É por demais evidente a dita «clubite» que vemos associada a grande parte dos adeptos de futebol, e que nos permite perceber até onde pode ir a paixão por um clube. Infelizmente, para muitos desses adeptos, as memórias negativas permanecem menos tempo do que as positivas, sendo que as primeiras são bem mais críticas e prejudiciais no médio e longo prazos. Só isso pode explicar a recondução de vários dirigentes nos seus cargos, dirigentes que, tendo feito algo de positivo pelos clubes, têm certamente tirado bem mais partido em proveito pessoal, sem se importarem em colocar em causa o futuro das instituições que dirigem.

Também é um facto que existem adeptos capazes de uma análise mais profunda, imparcial e, sobretudo, justa, sobre o desempenho das direções e sua competência. Ninguém é eterno, e o facto de se ter feito algo de bom e valorizável, no passado, jamais poderá justificar um rol de novas oportunidades quando as más decisões se avolumam, incapazes de perceber – os dirigentes – que se encontram em fim de ciclo e/ou que são incapazes de guiar o clube para o patamar seguinte – que se exige. E tal só será possível com novas mentalidades, com maior transparência, com dedicação absoluta, com profissionalismo, colocando sempre os interesses das instituições acima de tudo. Aliás, não há outros interesses que não sejam os das instituições.

Sempre fui apologista de que devemos seguir e enaltecer os bons exemplos. Quatro jovens bracarenses, inquestionavelmente adeptos fervorosos do nosso S.C. Braga, criaram uma página no Facebook, com o nome «O Escadote», onde abordam temáticas sobre o passado, o presente e o futuro do clube. Recomendo vivamente a seguirem. Têm apresentado um trabalho notável, muito bem elaborado e devidamente fundamentado. E não se limitam a tecer elogios ou a fazer apenas críticas: são imparciais. E foi após um trabalho de investigação de enaltecer que puseram a nu a falta de transparência na venda das ações que a Câmara Municipal de Braga detinha, na SAD do S.C. Braga, bem como a nebulosidade do negócio que prejudicou o erário municipal e colocou em risco o futuro do nosso clube, enquanto instituição pertença dos sócios. Tal negócio deveria ser alvo de uma investigação judicial.

Compreende-se (ou não), igualmente, a falta de lisura procedimental desta direção, que teima em não informar os sócios sobre quem detém tais ações, pois certamente disso tem conhecimento, dado que o Presidente da SAD tem sido mandatado para ser o seu representante nas assembleias da SAD.

Por fim, um destaque à notícia (e respetiva resposta da Câmara Municipal) de que o prémio «Braga melhor destino europeu» terá sido comprado, por um total de 86.000 Euros, o que nos faz levantar as seguintes questões: serão estes prémios legítimos?; fará sentido este tipo de investimento?; não deveria a promoção das cidades (neste caso) seguir outros trâmites?



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