Espaço do Diário do Minho

Sem darmos conta…

8 Abr 2021
Carlos Aguiar Gomes

Sem darmos conta cada dia que passa, mais nos cerceiam a liberdade usando como arma de perseguição o medo. Exagero meu? Não, de todo.

A nossa língua está a ser destruída pela “novilíngua” que nos obrigam a usar no quotidiano. Dizem-nos que teremos de saber usar a linguagem “inclusiva”. Caso contrário, acusam-nos de termos um “discurso de ódio”. Então, temos medo. Por exemplo, quando nos dirigimos a um auditório, composto por homens e mulheres, diríamos, o que é correcto, por exemplo: “Bom dia a todos!”. Agora, para não sermos acusados e tidos como machistas, sexistas e outros “istas” infamantes, teremos de saudar o auditório assim: “Bom dia todas e todos!”. E já se vai muito mais longe. Estão a entrar no nosso quotidiano, expressões como “Bom dia todes!” e se for escrito: “ Bom dia tod@s!”. Varreu-se a natural inclusão da língua portuguesa, em que o todos incluía o masculino e o feminino, que passará a ser outra qualquer, desde que seja “inclusiva” no sentido que nos é imposto pelo “ pensamento único e politicamente correcto”. Já não bastava o bastardo chamado “Novo Acordo Ortográfico”!

“Torcer” as palavras para “torcer” o nosso pensamento! As palavras assim torcidas passam a significar outra coisa, o seu sentido de tão torcido e retorcido, perdem o seu valor. Assim, “reformuladas” as palavras, somos que anestesiados e entramos num “ doce” torpor.

Mas está-se a ir mais longe. A União Europeia até já nos deu um “Glossário” que deverá ser usado para citarmos a tal sociedade “inclusiva”, retirando do nosso vocabulário natural, palavras tão dignas como Pai e Mãe por “progenitor 1 ou A e progenitor 2 ou B”! Daí, a campanha silenciosa para acabar com a “Festa do Dia da Mãe” ou a celebração do “ Dia do Pai”.

…Ou se segue esta “ algaraviada orwelliana” ou… somos perseguidos. E há quem tenha medo e ceda.

As “ fake news” divulgadas por todos os meios de comunicação têm todas o mesmo objectivo: passar como verdades as mentiras. E são tantas todos os dias que temos dúvidas no que ouvimos e lemos. Assim se instala o que os anglo-saxónicos chamam as “fake beliefs”, as falsas crenças. Aqui, imperam as lavagens ao cérebro do concernente à Ecologia, por exemplo. Neste âmbito, acabei de ler um livro extremamente curioso. «LES ÉCOLOS NOUS MENTENT!», de Jean de Kervasdoué (Ed. Albin Michel,2021) que com serenidade e competência (o autor tem uma formação muito vasta nas áreas da Agricultura, Águas e Florestas e tem, igualmente uma larga experiência e conta com a colaboração de Henri Viron, hidrólogo e especialista em pontes e Floresta).

Os autores interrogam-se e interrogam-nos “Como tomar partido entre desafios ecológicos maiores e as profecias tão catastróficas como infundadas?”. São-nos oferecidos a cada instante dados manipulados, falsamente fundamentados e culpabilizantes para o Homem? E sem darmos conta, vamo-nos deixando convencer e atemorizar face a este “matraquear” constante de notícias falsas que têm como grande objectivo criar em nós, cada um de nós, falsas crenças, medo em relação ao futuro, carregando-nos de culpas.

Na realidade, partindo de problemas verdadeiros e graves, que merecem uma atenção/acção séria e eficaz, apresentam-nos soluções falaciosas.

Sem darmos conta… vão-nos formatando e moldando-nos ao pensamento único, o único que tem direitos de cidadania.

E não estamos a dar conta de que, agora, nos querem convencer que somos racistas. Que a expansão de quinhentos é para esquecer e apagar da nossa memória colectiva. Ah! A escravatura começou connosco, portugueses. É espantosa a ignorância. Espantosamente atrevida e atrevidamente espantosa! Afinal de contas, o que importa é que a mentira, as mentiras, por tanto serem proclamadas, se tornem verdades que ninguém pode contestar!

Sem darmos conta, vamos a caminho do abismo civilizacional. E como dizia o hino da Mocidade Portuguesa: “Lá vamos, cantando e rindo, levados, levados sim!…”.



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