Espaço do Diário do Minho

Ponto por ponto

11 Abr 2021
Armindo Oliveira

O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituámos a eles” – Simone de Beauvoir – escritora e filósofa existencialista (1908-1986)

Ponto um – Este país tem uma predisposição incrível para se meter em problemas. Escândalos, casos, polémicas, tudo em escala degradante, não deveriam acontecer em democracia, simplesmente, como se tem verificado. O regime exige aos políticos procedimentos transparentes, condutas éticas e sentido de Estado. Quando estes valores entram em declínio, o próprio regime ressente-se e degrada-se inexoravelmente. É por isso, que hoje já se afirma, às claras, que temos uma “democracia amordaçada”. A verdade é que uma boa fatia dos cidadãos já não se revê nesta democracia da partidarite, dos boys e dos interesses. Das vergonhas e das conveniências.

Os cidadãos vão alinhando no jogo do faz-de-conta que há liberdade, que há menos desigualdades, que há igualdade de oportunidades, que há lisura, tudo para marcar presença. Sim! Esta democracia não passa de marcar presença. E neste jogo endemoninhado, quem tem mais habilidade, mais influências e mais apoios melhor leva a água ao seu moinho.

Ponto dois – “Para António Costa é normal ter ministros a mentir” – afirmação de Rui Rio. Temos um governo muito fraco, é verdade, e logo neste período de grandes dificuldades sociais. Era preciso um governo de muita classe e de coragem. O que temos, pelo contrário, é um governo que varre os sarilhos para debaixo do tapete. Um governo que baseia toda a sua acção numa máquina de propaganda infernal que vai safando a “coisa”. E as pessoas gostam! Nos momentos mais susceptíveis, o governo lava as mãos para ficar de bem com os seus apaniguados extremistas. Nos momentos mais escurecidos, o governo usa branqueador para retirar as nódoas das decisões desastrosas. Nos momentos de assumir responsabilidades e os erros, o governo trespassa-os para os outros com toda a ligeireza do mundo. E nesta narrativa, o dr. Costa ainda não entendeu que governar é, acima de tudo, olhar para o futuro. Antecipar e prevenir situações problemáticas. Ponderar medidas. Avaliar o presente.

Ponto três – Continuamos em maré de escândalos, embora, neste momento, estejam sonegados no Tribunal Constitucional para ver se as coisas passam despercebidas. Vamos, então, a mais um para não fugir à regra. Desta vez o escândalo é duplo: a venda da concessão das barragens. O negócio fez-se em 2007 e foi bem despistado dos portugueses pelo governo de Sócrates.

Primeiro escândalo – O ministro da Economia Manuel Pinho vendeu à EDP a exploração de 27 barragens por 700 milhões de euros. Agora a EDP vendeu à Engie – empresa francesa – a exploração só de 6 barragens por 2 mil e 200 milhões de euros.

Segundo escândalo – A Engie, através da EDP, engendrou um bom esquema para não pagar 110 milhões de euros de imposto de selo, imposto gerado pela transação.

Neste negócio há muita coisa para esclarecer e por esclarecer.

Entretanto: Duas explicações: 1- Está por explicar o arranjo que o governo fez no Orçamento de Estado de 2021 para acomodar esta “isenção”.

Explicação – 2 : Está por explicar a criação de uma “empresa fictícia” da EDP com um único funcionário para gerir as 6 barragens.

Ponto quatro – Mais um escândalo. Este agiganta-se e embeleza o cenário negro do país: a TAP – empresa falida, que foi renacionalizada para satisfazer os extremistas. Esta empresa de bandeira (?) perde 80 milhões de euros por mês. Os 1,2 mil milhões de euros que já recebeu do Estado em 2020 já se esgotaram em Março de 2021. Vai precisar de mais 100 milhões de euros por mês até ao fim do ano. Mas o engraçado deste caso é que a TAP “emprestou” 7,5 milhões de euros à Groundforce para pagar salários em atraso aos seus 2400 trabalhadores.

Resumindo e concluindo: uma empresa estatal falida que sobrevive à custa do dinheiro dos contribuintes consegue emprestar dinheiro a outra empresa falida que poderá ser nacionalizado a qualquer momento. Em vez de um, temos dois berbicachos. Os generosos contribuintes vão ter suportar estes desmandos. Alguém percebe este tipo de gestão? E esta sumidade de ministro?



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