Espaço do Diário do Minho

Semana da páscoa: a perfídia das autoridades religiosas judaicas

11 Abr 2021
Rui Rosas

Nesta semana, a primeira do tempo pascal, temos muito presente o que se celebrou no domingo passado: a Ressurreição de Jesus Cristo.

Entre os milagres que Ele deixou, como testemunho da sua bondade e do seu poder, este é o maior de todos, pois trata-se de uma auto-ressurreição. Jesus morreu, mais propriamente, foi morto por disposição legal da autoridade do tempo, no Monte Calvário, junto de Jerusalém. Sofreu o indizível, perante o assombro dos seus seguidores mais directos, e acabou por falecer, entregando a sua vida ao Pai, ao dizer: “Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito” (Lc 23, 46).

Este momento foi esperado pelas autoridades religiosas israelitas com muito entusiasmo, porque acreditavam que, uma vez acabada a vida deste homem estranho, a influência que exercia sobre as pessoas acabaria por se extinguir. Não se interessavam por saber qual era a origem da sua doutrina, nem muito menos porque tinha um poder inexcedível de vencer as doenças, de curar tanta gente de um modo imperceptível, quer para a ciência do tempo, quer para as próprias possibilidades de que um ser humano é capaz.

A sua condenação à morte, confirmada pela autoridade romana então dominante, representava, para esses poderosos judeus, como que o ponto final da influência de um homem que ressuscitava mortos, fazia ver cegos, ouvir surdos ou pôr um paralítico a andar com normalidade, etc. O porquê da razão pela qual Ele realizava tais milagres, não lhes interessava. Apenas davam por suposto que aquele taumaturgo significava um perigo para hegemonia do poder que eles detinham, não tanto como senhores políticos de Israel, mas como chefes religiosos de uma sociedade sujeita a um domínio militar estrangeiro. Temiam o pior de Jesus; era um perigo que afectava o seu poder sobre a sociedade israelita e as verdades religiosas que eles defendiam.

Por isso, empenharam-se a fundo em O prender e em conseguir de quem mantinha o poder da vida ou da morte de alguém – a autoridade de Roma, na pessoa de Pôncio Pilatos –, que determinasse a sua condenação à cruz. O modo e o método que utilizaram não os preocupou sob o ponto de vista da justiça. Pilatos manifestou relutância em determinar a sua morte. No entanto, como representante de um imperador que apreciava a paz em todo o seu vastíssimo território, acabou por aceitá-la, depois de lavar as mãos num gesto de quem quer ilibar-se das responsabilidades de tal condenação. Este modo de proceder poderia ser hoje conotado como “politicamente correcto”.

Mas se os dirigentes judeus manifestaram pouca preocupação por serem equânimes com a morte de Jesus, reafirmam a sua forma de agir nada recomendável, quando são sobressaltados por um grupo de soldados que tinham conseguido colocar junto do túmulo de Cristo, a fim de que ninguém pudesse roubar o seu corpo. Eles contam-lhes sinceramente, e acossados pelo medo, o que tinham há pouco presenciado: a remoção da pedra tumular por um ser angélico poderosíssimo, que diz a duas mulheres ( Maria Madalena e Maria) que aí tinham acorrido, ao romper da alva: Jesus “não está aqui, porque ressuscitou, como havia dito” (Mt 28, 5-6). A verdade dos factos não lhes interessa. Por isso, subornam os militares, com uma boa quantia, dizendo-lhes: “Vós direis: “Os seus discípulos vieram, de noite e roubaram-no, enquanto nós dormíamos” (Mt 28, 13-14). E para que eles assintam em tal jogada sossegam-nos: “E se isto chegar ao conhecimento do governador, nós o acalmaremos, e vos livraremos de cuidados” (Mt 28, 14).

Não dão qualquer relevância à verdade factual. Dirigentes religiosos duma sociedade sem autonomia política, querem manter-se no poder e aniquilar quem lhes pode fazer sombra. Para tanto, não se importam de utilizar o vil dinheiro e a mentira para emudecer quem os poderia colocar mal ou até pôr fim à sua hegemonia. Santo Agostinho não deixou de fazer notar que testemunhas adormecidas, como os guardas subornados, não são as mais fiáveis…



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