Espaço do Diário do Minho

A junta de boys da junta de boys e o surf

14 Abr 2021
Joaquim Barbosa

A Junta de Boys é um programa satírico, bem humorado, sobre a política e políticos do nosso burgo que passava na Rádio Universitária do Minho, composto por pessoas com forte sentido crítico, conhecedores dos problemas da cidade, muitos até com um longo historial de cidadania como é o caso de Tarroso Gomes.

Ouço, quando posso, a Junta de Boys por aquilo que acrescentam, de uma maneira divertida, ao debate político na cidade.

No entanto é condição essencial falar verdade, sempre, sem criar factos falsos para, sobre eles, assentar a critica com determinado objetivo político ou partidário.

Assisti nos últimos tempos, por parte da Junta de Boys, ao surfar de dois factos falsos tão frágeis como uma onda que lhes origina um gigante trambolhão na areia dura perto da praia.

Começando pelo primeiro facto, é absolutamente falso que tenha havido censura por parte do poder municipal na RUM, quando esta estação decidiu retirar o programa do ar, conforme ninguém conseguir provar ou indiciar, sequer.

O que aconteceu é que os integrantes da Junta de Boys, insistentemente, publicavam nas redes sociais o programa antes de ser emitido, o que retirava, logicamente ouvintes à Rádio. Não conheço nenhum órgão de comunicação que permita isso.

Foi por isso muito estranho o silencio da Junta de Boys quando vários jornalistas da Rádio negaram, sem hesitação, qualquer censura ou, quando em programas da rádio, foi reafirmado a desonestidade da acusação de censura. Aí a Junta perdeu o sorriso ou, sendo igualmente sátiro, o pio, talvez pelas dores na queda dolorida na maré vaza.

Isto para já não falar de posição de virgem ofendidas dos Mão Morta que, em alto brado, proibiram a passagem da sua música na RUM quando, afinal, o seu vocalista está altamente comprometido – vamos ver se dura até ao fim – com uma candidatura da oposição.

Até é caricato que, menos de vinte dias depois, o vocalista dos Mão Morta desse uma entrevista polÍtica nessa rádio. Agora a acusação de censura já não lhe interessava para nada. Aqui não foi só uma queda da prancha, mas antes um naufrágio, revelando, na política, a mesma arte na auto mutilação que tem em palco.

O segundo facto falso, ocorreu quando se acusou de algo menos sério ou ilícito que teve por base a atribuição a Braga ao prémio de Melhor Destino Europeu, digno de um programa da Junta de Boys sobre a Junta de Boys:

O candidato mesquitista socialista afirmava em Braga que iria rebentar uma “bomba” na cidade devido ao prémio, quase ao mesmo tempo que chegava ao Polígrafo da SIC, pelas energias do além, um post facebokiano de uma pessoa que trabalha no escritório do seu pai, consagrado e prestigiado advogado bracarense. A Junta convida essa pessoa – igualmente distinta advogada do nosso burgo – para o seu programa. A cereja no topo do bolo foi quando a convidada aí apelou a que não se votasse num certo sentido nas próximas eleições.

Chicoespertice dos tempos mesquitista que originou um grande tombo na areia dura em mará baixa!

O prémio Melhor Destino Europeu que Braga ganhou recentemente, depois de ter ficado em segundo lugar o ano passado é um programa promocional de cidades ( e não concorrencial ), existente há vários anos no qual participam cidades de todo o mundo.

O prémio Melhor Destino Europeu tem base numa plataforma informática, sendo uma marca de mundial de promoção turística, registada no nome de uma pessoa. O investimento no concurso é feito a quem gere a plataforma que é o dono da marca. Todas as cidades da dimensão de Braga que nele participaram, pagaram da mesma maneira que Braga pagou. Todas as cidade médias fizeram o mesmo, ou seja pagaram ao dono da marca. Todas!

Após Braga ter ganho o prémio, inteligentemente, decidiu-se fazer uma promoção de Braga a nível mundial na mesma plataforma, promoção acessível a qualquer cidade que tenha ou não participado ou ganho o concurso. E, qualquer cidade nessas condições, pagaria como Braga pagou, ou seja, pagaria ao gestor individual da plataforma.

Promover mundialmente Braga, durante mais de dois anos nas melhores revistas, jornais, notícias televisivas em vários países e gastar uma média de 75 mil euros em cada um desses dois anos representa um ato eficaz e eficiente de gestão pública muito benéfico para a cidade. Qualquer produto médio/alto de uma boa empresa paga muito mais por um campanha muito inferior.

É por isso que não há nenhum hoteleiro, dono de restaurante, comerciante, empresário ou qualquer cidadão interessado na sua cidade que não tenha orgulho e não aplauda este prémio.

Seria até necessário, neste caso, um programa da Junta de Boys sobre a Junta de Boys que, além de criticar está igualmente sujeita à critica, principalmente quando resvala por maneiras de atuar bem próximos de uma ultrapassada época mesquitista.

E assim, foi toda a Junta de Boys a dar um trambolhão maior que os dados nas ondas de Nazaré.



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