Espaço do Diário do Minho

Sentir-se contente com a vida… melhora a vida

18 Abr 2021
M. Ribeiro Fernandes

1. Comprovou-se que uma pessoa contente com a vida é mais saudável, tem mais abertura aos outros, tem mais autoconfiança, é mais empreendedora… E que só quem tem essa experiência na vida é capaz de transmitir aos outros esse sentimento. Digamos que, em democracia, essa devia ser uma característica pessoal de liderança necessária para se candidatar a um cargo público: para além de muitas outras características, a começar pela identidade e pela honestidade, deve ser uma pessoa contente com a vida. A austeridade é importante, mas nem sempre será a melhor conselheira.

Não sei se já haverá suficiente consciência social da necessidade dessa qualidade pessoal para ser candidato a um cargo público ou para escolher um candidato a cargo público. Será que alguém se pergunta se o candidato é feliz na vida e a sua experiência pode ajudar os outros a serem também felizes? Pelo que se tem visto, os agrupamentos políticos preocupam-se apenas em ter candidatos fiéis ao seu ideário político, pensando em si próprios e no seu poder. Aliás, tem estado a tornar-se moda, sempre que há eleições, que alguns agrupamentos políticos, apresentam sempre o mesmo candidato. Não preciso de os nomear porque toda a gente os conhece. O partido recompensa-os por fazerem esse frete usando o dinheiro do povo, à custa de cargos públicos no parlamento. Tornaram-se candidatos profissionais, o que desacredita a sua actuação e a mensagem que dizem querer passar.

Ainda há muito que aprender nesta área da cidadania…E o cidadão é o primeiro a precisar de o descobrir, pois é ele quem elege e quem, depois, bem ou mal, é dirigido e influenciado. Na área da representação democrática há muito a descobrir e aprender se queremos melhorar a vida pública. Porque a democracia é um regime que deve estar para além do egoísmo partidário: exige que se pense no bem político comum.

2. Sentir-se satisfeito com a vida melhora praticamente tudo…Já se chegou à conclusão que o sentimento de satisfação com a vida está ligado a vários resultados positivos de uma melhor saúde física, psicológica e comportamental, tais como,

– reduzido 26% o risco de mortalidade;

– 46% menor o risco de depressão;

– 25% menor o risco de limitação de funcionamento físico;

– 12% menor o risco de dor crónica;

– 14% menor o risco de ter problemas de sono;

– menor o desespero na vida e a solidão;

-melhora o bem-estar psicológico em áreas como o afecto positivo, o optimismo, o propósito na vida…

3. Embora a satisfação com a vida seja essencialmente a avaliação de uma pessoa sobre a sua própria vida com base em factores que ela considera relevantes e essa satisfação seja moldada pela genética, por factores sociais e por mudanças nas circunstâncias da vida, ela também pode ser melhorada a nível individual e colectivo. É aqui que entra a sua dimensão política. Segundo Erik Kim, da universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), a satisfação com a vida é um alvo politicamente valioso que precisa de ser apreciado e melhorado. E as actuais circunstâncias, em que a covid-19 tem abalado as condições em que vivíamos, podem ser uma boa oportunidade para repensar muita coisa e reprogramá-la em termos de bem-estar pessoal e social, porque há condições que dificilmente vão regressar.

Para construir um país mais feliz não bastam critérios subjectivos e pessoais, é preciso também critérios objectivos políticos e sociológicos, na base dos direitos humanos e da tradição democrática. Neste ano, a Finlândia foi novamente eleito o país mais feliz. Quando se elege o país mais feliz, pode parecer que se está no reino da utopia ou da mera manipulação política, mas deve-se atender a que não se trata apenas da expressão de um juízo pessoal sobre a satisfação da sua vida, mas também da existência de critérios objectivos que caracterizam e medem esse bem-estar pessoal e social. A alegria, a solidariedade, o desenvolvimento… a ausência de corrupção, sobretudo na política. Por alguma razão Portugal não passou do 60.º lugar…



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