Espaço do Diário do Minho

Ervas e pedras

4 Mai 2021
António Cândido de Oliveira

Li este texto, no dia 2 de maio de 2021, e ele não pode passar despercebido na torrente das notícias diárias.

“Com o intuito de proteger os os insetos polinizadores (abelhas, vespas, besouros e borboletas), a Junta de Freguesia de Espinho, em Braga, decidiu não cortar a vegetação espontânea nas bermas das ruas, canteiros e jardins.

A autarquia local considera-a uma nova forma de aumentar a biodiversidade. Aliás, segundo o que a Junta publicou no seu facebook, esta medida junta-se a outra já tomada, que é a proibição de utilização de glifosato (herbicida) nos espaços públicos.

“Esta medida visa defender as pessoas, os animais e a natureza. A vegetação silvestre espontânea, muitas vezes considerada desagradável à vista ou inútil, é fundamental para a vida selvagem, nomeadamente para os insetos polinizadores, dos quais depende toda a vida na Terra”, refere a Junta de Freguesia numa explicação dada na página do Facebook.

Uma freguesia é considerada muitas vezes uma entidade pública menor, mas atitudes como esta mostram exactamente o contrário.

O bem-estar das pessoas, a protecção do meio ambiente não se faz com palavras, mas com actos e esta deliberação da junta de Espinho é um bom exemplo disso.

Acresce que vivemos num tempo em que municípios e freguesias, para não falar do Estado e dos seus serviços, são capazes de gastar dinheiro em obras supérfluas e atentatórias do ambiente quando é possível fazer muito, não fazendo nada.

Não se compreende que se continue a utilizar herbicidas a torto e a direito e sabemos como municípios e freguesias da nossa região e serviços do Estado continuam a agir desse modo.

Outro exemplo do que acabo de escrever é, por exemplo, o facto de estar a expandir-se nas cidades e fora delas o costume de encher o miolo das rotundas e de espaços públicos ou mesmo privados (edifícios com partes comuns) que deveriam ser verdes com pedras soltas de enfeite ou mesmo cascalho.

Aqui não é só o atentado ao meio ambiente, impedindo que cresça uma vegetação natural, mas atentado à segurança pública ao pôr à disposição de pessoas em momentos de tensão, que podem ocorrer quando menos se espera, material próprio para passar da violência das palavras para os actos seja para com outros grupos de pessoas, forças de segurança ou veículos estacionados ou em circulação.

Aprendamos todos com exemplos com os que vêm desta freguesia.



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