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Iniciativa da Adriminho leva produtores locais à conquista do mercado global.

Luísa Teresa Ribeiro
10 Mai 2021

Fumeiro, queijo, vinho, mel, chás e doces são alguns dos produtos que é possível adquirir na loja digital Vale do Minho Marketplace. Este é um projeto impulsionado pela Adriminho – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho que procura contribuir para a agilização do escoamento dos produtos locais dos seis concelhos daquela região.

A coordenadora da Adriminho, Ana Paula Xavier, explica que a pandemia tornou mais urgente a concretização de um projeto que já estava a ser pensado antes do surgimento da Covid-19, uma vez que se sentia a falta de «uma ferramenta alternativa, que reforçasse a comercialização dos produtos locais».

Esta responsável refere que, no Vale do Minho, há «produtores com uma dimensão e um grau de profissionalização que lhes permitem escoar os seus produtos», mas também existe «um leque de pequenos produtores que sozinhos não conseguem chegar ao mercado», especialmente com a suspensão das feiras e dos eventos de promoção e com o encerramento da restauração.

Para levar os produtos locais ao encontro dos consumidores foi criada, no final do ano passado, através de uma parceria com a plataforma Unique Flavours, uma loja digital partir da qual qualquer consumidor pode encomendar os produtos autênticos do Vale do Minho, de forma simples, com conforto e em segurança.

A loja digital surge, assim, como uma espécie de “montra” dos «produtos de qualidade e típicos de cada concelho, traduzindo os recursos e potencialidades do Vale do Minho».

O objetivo primordial do Vale do Minho Marketplace passa por contribuir para a agilização do escoamento dos produtos locais da região, os quais também assumem um papel fundamental na garantia de um forte contributo para a retoma da economia local.

A Adriminho é responsável por fazer a recolha dos produtos junto dos produtores e a entrega no armazém da empresa que faz a comercialização. «O grande objetivo de qualquer iniciativa de desenvolvimento é ajudar na fase inicial e criar as condições para que os projetos sigam sozinhos o seu curso. Assim, neste primeiro ano, estamos a dar este apoio aos produtores, mas estamos a prepará-los para que andem sem nós. Esperamos que os produtores reconheçam a mais-valia da loja digital e consigam fazer esta logística sem o apoio da Adriminho», declara.

Toda a relação comercial é feita diretamente entre os produtores e empresa responsável pela plataforma digital. «O papel da Adriminho não é fazer a comercialização, mas criar as condições para que ela exista. Desta forma, estabelece-se uma relação de confiança entre os produtores e a empresa que vai permitir a continuação do negócio quando nós já não estivermos a apoiar», explicita.

Em declarações do Diário do Minho, a técnica adianta que os primeiros produtores a disponibilizarem os artigos online foram os que já estavam organizados em termos legais. Esta iniciativa funciona como um incentivo para que os produtores estruturem a sua atividade empresarial, pelo que os promotores esperam que mais empresas se juntem ao projeto à medida que se forem formalizando e que a loja online comece a mostrar resultados.

Para complementar este trabalho, a Adriminho tem em fase de aprovação um projeto que visa capacitar os produtores para questões como as obrigatoriedades fiscais, a embalagem dos produtos ou o marketing.

Paralelamente, a Associação de Desenvolvimento Rural Integrado tem mecanismos para poder apoiar algum investimento que os produtores possam querer fazer na sua atividade. «Somos gestores do Programa de Desenvolvimento Rural 2020, pelo que é nossa função colocar à disposição da população avisos de apoio a pequenos investimentos, desde a atividade agrícola, à transformação e à comercialização», diz.

 

Mercado online com potencial para dinamizar a economia

O presidente da direção da Adriminho – Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho considera que a loja digital tem «um enorme potencial», defendendo a consolidação da marca Vale do Minho como sinónimo de qualidade.

«Esta é uma boa iniciativa para criar negócio para os nossos produtores. Desta forma, contribui para que haja mais produtores e para que estes percebam que é possível ganhar dinheiro com a aposta no território», afirma Manoel Batista ao Diário do Minho.

O presidente da Câmara de Melgaço refere que a pandemia tornou evidente a necessidade de modernização dos canais de ligação ao mercado. «Os produtores perceberam esta necessidade de diversificar os canais de venda. Foi com enorme alegria que verificámos a adesão de uma série considerável de produtores de vários municípios do Vale do Minho», declara.

Em seu entender, a pandemia fez com que as pessoas se apercebessem que o interior é «um espaço com muito interesse, não apenas do ponto de vista da visitação, mas também da qualidade dos produtos». É este mercado que os produtores do Vale do Minho querem conquistar, gerando riqueza para o território.




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