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Papa desafia media a sair ao encontro do mundo real

Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais elogia «coragem» dos jornalistas e pede atenção aos problemas dos países mais pobres

Redação/Ecclesia
16 Mai 2021

O Papa defende necessidade de ir ao encontro da «vida concreta», no trabalho jornalístico, particularmente neste momento de pandemia, num apelo lançado na sua mensagem para o 55.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebra hoje.

«Há o risco de narrar a pandemia ou qualquer outra crise só com os olhos do mundo mais rico», alerta Francisco.

A mensagem tem como tema “«Vem e verás» (Jo 1, 46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são”.

Segundo o Papa, «numerosas realidades do planeta – e mais ainda neste tempo de pandemia – dirigem ao mundo da comunicação um convite a ‘ir e ver».

«Por exemplo, na questão das vacinas e dos cuidados médicos em geral, pensemos no risco de exclusão que correm as pessoas mais indigentes. Quem nos contará a expetativa de cura nas aldeias mais pobres da Ásia, América Latina e África?», questiona.

Francisco considera que sem esta narrativa alargada, as diferenças sociais e económicas vão marcar a distribuição das vacinas contra a Covid-19, «com os pobres sempre em último lugar».

«O direito à saúde para todos, afirmado em linha de princípio, acaba esvaziado da sua valência real», exemplifica.

O Papa aborda ainda os casos de pobreza provocados pela crise sanitária e económica, nesta pandemia, falando num «drama social» que continua oculto.

«Causam impressão, mas sem merecer grande espaço nas notícias, as pessoas que, vencendo a vergonha, fazem a fila à porta dos centros da Cáritas», assinala.

A mensagem aborda a uniformização da informação, apontando para o risco de «jornais fotocópia» ou noticiários «substancialmente iguais, onde os géneros da entrevista e da reportagem perdem espaço».

O Papa critica a informação «pré-fabricada, ‘de palácio’, autorreferencial”, que se desliga da «verdade das coisas e da vida concreta das pessoas».

Francisco deixa um agradecimento pela «coragem de muitos jornalistas», capazes de «ir aonde mais ninguém vai», correndo riscos.

Esse trabalho, indica o Papa, permitiu denunciar «a difícil condição das minorias perseguidas em várias partes do mundo», «muitos abusos e injustiças» e dar a conhecer «guerras esquecidas».

Na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais o Papa alerta ainda para os perigos de uma manipulação de informação nas plataformas digitais.

«Tornaram-se evidentes, para todos, os riscos duma comunicação social não verificável. Há tempo que nos demos conta de como as notícias e até as imagens são facilmente manipuláveis, por infinitos motivos, às vezes por um banal narcisismo», indica.

Francisco defende uma comunicação «transparente e honesta», «tanto na redação dum jornal como no mundo da web, tanto na pregação comum da Igreja como na comunicação política ou social».

O texto destaca a importância de «maior capacidade de discernimento e a um sentido de responsabilidade mais maduro», na difusão e receção de conteúdos.

«Todos somos responsáveis pela comunicação que fazemos, pelas informações que damos, pelo controlo que podemos conjuntamente exercer sobre as notícias falsas, desmascarando-as», precisa.

O Papa admite que a tecnologia digital permite uma informação «em primeira mão e rápida», oferecendo mesmo a possibilidade de acompanhar acontecimentos que «seriam negligenciados pelos meios de comunicação tradicionais».

A mensagem alerta, no entanto, que «na comunicação, nada pode jamais substituir, de todo, o ver pessoalmente».

[Notícia na edição impressa do Diário do Minho]





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