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Nome é uma homenagem à história de quinta que grupo francês comprou em Monção.

Luísa Teresa Ribeiro
31 Mai 2021

“Barão do Hospital” é a nova marca que a Falua acaba de lançar para os Vinhos Verdes, que chega ao mercado com um Alvarinho e um Loureiro da colheita de 2020. O nome é uma homenagem à história da Quinta do Hospital, que a empresa com 25 anos de atividade no setor dos vinhos, detida pelo grupo francês Roullier, comprou em Ceivães, Monção.

Com vasta experiência no Tejo, a Falua chegou em 2020 à Região dos Vinhos Verdes, com a aquisição de uma adega no concelho de Monção. A aposta nesta área tornou-se mais forte com o investimento, no final de fevereiro deste ano, na Quinta do Hospital, uma propriedade com 25 hectares.

A apresentação do projeto decorreu na passada terça-feira, num evento em que o historiador Joel Cleto falou do passado desta quinta, que remonta ao século XII, período em que D. Teresa doou terras à Ordem Hospitalária de São João de Jerusalém ou Ordem do Hospital, atualmente Ordem de Malta, para que se instalasse no Condado Portucalense. Na Idade Média, os hospitais destinavam-se a acolher e a dar “hospitalidade” aos viajantes, particularmente aos peregrinos, por isso a Quinta do Hospital está situada nas imediações de uma via que faz parte do Caminho de Santiago.

Joel Cleto referiu que a propriedade foi administrada diretamente pelos Hospitalários até ao século XVI, altura em que passa para a família Queirós, que pagava uma renda, que incluía Vinho Verde. É o décimo senhor desta casa, Joaquim Queirós, que recebe o título de Barão do Hospital, que agora dá nome à mais recente marca da Região dos Vinhos Verdes.

Foi este importante legado histórico aliado «às condições naturais para a produção de vinhos de excelência» que seduziu a equipa da Falua. A empresa foi integrada em 2017 no grupo Roullier, representando a entrada deste gigante mundial da agropecuária no negócio dos vinhos.

A diretora-geral da Falua, a enóloga Antonina Barbosa, explica que, desde então, foram sendo avaliados projetos que celebrassem «a excelência e a diferenciação», no sentido de fazer crescer a área dos vinhos. A Quinta do Hospital reuniu estes requisitos, uma vez que «está num vale magnífico, onde as caraterísticas da sub-região de Monção e Melgaço estão verdadeiramente presentes».

Depois da aquisição da adega em Monção, «a Quinta do Hospital cumpre a estratégia de expansão da Falua a outras regiões demarcadas, ao mesmo tempo que sublinha a escolha da sub-região de Monção e Melgaço pela identidade e autenticidade que pretendemos para a operação de viticultura e produção de vinhos do grupo», refere a administração da empresa.

«Estamos num território que se destaca pela produção de vinhos brancos de excelência e que reúne caraterísticas distintivas dentro e fora da Região dos Vinhos Verdes, para além de termos o privilégio de preservar e promover a história deste local. Com a marca “Barão do Hospital” queremos fazer crescer o negócio de vinhos em Portugal, alicerçado em prestígio e maior valorização», acrescenta.

Natural de Monção e a trabalhar na região há mais de dez anos, Antonina Barbosa adianta que o objetivo é tornar esta propriedade «novamente numa referência de hospitalidade no Minho» e produzir vinhos de referência para a região, o país e o mundo.

Os novos vinhos surgem de olhos postos no mercado internacional, como confirma Rui Rosa, administrador da filial do grupo Roullier em Portugal. Este responsável lembra que os vinhos da região são «muito bem aceites no mercado internacional», pelo que a nova marca pode ajudar na afirmação do grupo em Portugal e na divulgação da região em termos de exportação.

Os planos para os Vinhos Verdes passam por aumentar a área de vinha da quinta, que atualmente se cifra em 10 hectares de Alvarinho, e pelo lançamento de mais referências. «Queremos aumentar a gama dos vinhos, criar produtos diferenciados. Queremos aumentar a nossa presença na região», diz.

«Este é um marco muito importante para nós. Entrámos há três anos nesta atividade dos vinhos, que é apaixonante. Entrar na segunda região num curto espaço de tempo motiva-nos muito. Temos muita ambição para o que está aí para fazer». Rui Rosa

Questionado pelo Diário do Minho sobre a possibilidade de expansão para outras regiões demarcadas, o administrador refere que a intenção no curto prazo é «consolidar» os investimentos no Tejo e nos Vinhos Verdes. Contudo, revela a vontade de alargar «com prudência» o âmbito de atuação, pelo que a empresa admite novos investimentos se surgirem projetos aliciantes. «No futuro, vamos seguramente estar em novas regiões», adianta.

Em relação à possível transformação do solar, que tem uma fachada brasonada do século XVI, numa unidade de enoturismo, os dirigentes da Falua referem que ainda não há projetos definidos, uma vez que o foco tem sido o lançamento da nova marca. Rui Rosa constata que o «solar é extraordinário», pelo que com tempo irá ser definida «uma boa solução» para este imóvel.

O valor do investimento na Quinta do Hospital não foi divulgado. Até ao final de 2020, o investimento em Portugal no setor dos vinhos cifrava-se nos dez milhões de euros, valor que já inclui a aquisição da adega em Monção. O grupo tem cerca de 9 mil colaboradores, estando presente em 131 países.

A apresentação da marca “Barão do Hospital” incluiu um jantar, em que os vinhos foram harmonizados com um menu assinado pelos chefes António José Vieira e Renato Cunha.

O Alvarinho é produzido exclusivamente na Quinta do Hospital, chegando ao mercado 19 mil garrafas. Por seu turno, a produção de Loureiro é assegurada por parceiros com vinhas em Ponte de Lima, Esposende e Marco de Canaveses, sendo a edição de 2020 de 37 mil garrafas.

 

Investimento acrescenta valor à região

Os presidentes da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes e da Câmara de Monção aplaudem o investimento do grupo Roullier, através da Falua, na Quinta do Hospital e no lançamento de uma nova marca, considerando que esta estratégia vai aumentar o valor da região.

Presente na cerimónia de apresentação do investimento em Monção, o presidente da Comissão de Viticultura afirmou tratar-se de «um dia de festa para os Vinhos Verdes», que passam a contar com um grande investidor internacional, com um conhecimento profundo da produção e do mercado de vinhos, pautando-se pelo compromisso com a sustentabilidade ambiental.

«Estamos a acolher um projeto que pretende fazer vinhos de excelência, que vão representar a região ao nível mais elevado em Portugal e no mundo», disse Manuel Pinheiro ao Diário do Minho.

Este responsável considera que em Portugal se festeja mais a entrada de investidores na indústria do que na agricultura. Em seu entender, deve ser destacado o facto de um grupo internacional «investir no território», contribuindo para gerar «riqueza, postos de trabalho e um futuro de maior valor para a região».

Por seu turno, o presidente da Câmara Municipal de Monção argumentou que estes investimentos são essenciais para a região. «Para Monção, é um salto em termos qualitativos. É isso que pretendemos para a região e para o qual trabalhamos todos os dias», declarou António Barbosa ao DM, enfatizando que a área de Monção e Melgaço tem tido a capacidade de mostrar a sua diferenciação.

«Esta região tem tido a capacidade de fazer com que os grandes investidores da área dos vinhos comecem a olhar para este território. Isso mostra o trabalho extraordinário que tem sido feito pela Comissão de Viticultura e pelos produtores de forma individual», afirmou.




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