Espaço do Diário do Minho

Costa, onde estás?

8 Jun 2021
Luís Martins

A pergunta que se impõe é a seguinte: “onde tem estado Costa e os seus ministros?” Desta vez, como das anteriores, Costa responde: “os ministros e as ministras que havia disponíveis no país são o que são, como podia fazer melhor?” Por seu lado, quase em uníssono, os ministros e as ministras declaram: “é a vida, o diabo da pandemia tem atraiçoado o nosso planeamento”! Que coincidência, faz lembrar uma história bem conhecida! Na verdade, se as coisas correm bem, não há vez que se não vejam por perto das câmaras de televisão ou a entregar recados escritos aos jornalistas para que escrevam e publiquem tudo e que repitam a coisa em “loop” para que o povo saiba das medidas e dos sucessos, expediente que criticam quando a situação se inverte. Na verdade, se se fala em responsabilidade é um vê se te avias a desaparecer para não ter que responder, para não assumir culpa alguma no cartório, mesmo que seja pouca. E se for muita, privilegiam o silêncio que faça os adversários e os subordinados esquecer o assunto ou, no mínimo, ficar em banho-maria enquanto se lhes não ocorre alguma solução ou estratagema. É um dado adquirido, uma prática que diz bem sobre os que nos governam, que não está certa, mesmo que se diga que vivemos em liberdade. Certo é que esta não pode pactuar com rodeios e muito menos com mentiras; nem com um passa-culpas pueril e desconexo que não lembraria a nenhuma serpente.

Em democracia não são aceitáveis dois pesos e duas medidas, pelo que, quando se decide, tem que se ter isso em conta. A pandemia evidenciou que tal não foi tido em conta no cumprimento do confinamento e que há agora a mesma situação no desconfinamento. Pode fazer-se uma manifestação, um comício ou uma festa partidária, mas não se pode fazer uma pequena reunião familiar. Pode organizar-se uma final europeia com assistência estrangeira, mas não há lugar a que adeptos de clubes portugueses entrem nos estádios. Não há diplomacia que explique isso. Não há sequer razões sanitárias para fundamentar o sucedido. Não se percebe que se forem uns não há riscos e se forem outros já os há. Não se percebe o que aconteceu na festa do Sporting em Lisboa. Não se percebe o que aconteceu com a final entre duas equipas inglesas no Porto. Houve consequências – algumas estão à vista nos números de infectados na capital -, mas os governantes e decisores políticos não as admitem ou desvalorizam os acontecimentos até ao limite do irracional. E o mais grave é que há alguns que nunca assumem responsabilidades e muito menos tiram consequências políticas. Costa e o seu governo não as assumiram nunca. Não me lembro de ter havido qualquer assunção de culpa por parte de algum membro do Executivo, nestes como noutros casos com alguma gravidade. Ora, isso é de quem é fraco. Os fortes não têm receio de assumir o erro ou a culpa. Acresce que nos últimos episódios os responsáveis políticos não foram apanhados de surpresa, tendo os eventos sido anunciados e logo aceites por quem tinha autoridade para os autorizar. Deles resultaram contratempos e não foi coisa pouca, sem significado.

É vergonhoso que um governo decline responsabilidades que só a ele dizem respeito. E nos dois casos referidos isso é fácil de verificar. Como, de resto, em Odemira, embora com outros contornos. Como em tantos outros casos. Como no caso dos incêndios de há quatro anos. Caso após caso, a prioridade tem sido saltar dos problemas para a espuma da agenda como se isso os resolvesse. Uma estratégia propagandista de quem não é rigoroso nem profissional, nem ética e politicamente honesto. Num regime que se diz representativo e democrático, como se pode compreender que o povo insista com a pergunta simples: “Costa, onde estás?” No que se tornou o governo de um país!



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