Espaço do Diário do Minho

Em vez de Ceuta e Cabo Delgado… Minsk

8 Jun 2021
Eduardo Tomás Alves

  1. Para que serve a História ?). Deve ter sido uma das principais decepções intelectuais que aconteceram na minha existência. Lembro-me bem ainda: foi na 1.ª aula de História que tive na vida, dada pelo dr. José Lopes no velho liceu portuense de Alexandre Herculano. Homem baixo, magro e de olhos azuis, de bata branca, informou-nos logo que a História era uma ciência e (apenas) servia para conhecer o Passado, a fim de melhor compreender o Presente e ajudar a prever o Futuro. Ora eu, como tantas crianças (habituadas pelo cinema, TV e livros de “quadradinhos”), o que queria era ouvir a narração das batalhas, conhecer as armaduras, espadas, fardas, espingardas, saber quem foram os heróis e quais foram os povos que triunfaram, quando e como.

  2. Hoje, quase ninguém conhece História). Poucos anos depois do 25 de Abril de 74, deixou de se ensinar a verdadeira História Universal. Dispensou-se o ensino detalhado das guerras e dos factos políticos e até, das antigas Civilizações; deixou inclusive de se falar de algumas. O ensino da História deixou de ser, como nos compete, eurocêntrico; e passou a enfatizar apenas a “história económica”; e esta foi contada apenas duma perspectiva esquerdista. Os factos e os personagens foram despromovidos a elementos secundários, quase “auxiliares” do ensino da “nova” História. E esta passou a ser relativizada como uma espécie de “não-ciência”, cheia de hiatos e moldável ao gosto do (frequentemente ignorante) intérprete. Hoje, a situação parece estar algo melhor; porém, nas décadas de intervalo formou-se a débil cultura geral de quase duas gerações, que pouco sabem de História. Mas que, apesar disso, são quem elege os governantes; quem os põe e tira; e quem decide. Sendo por isso mesmo, o alvo de uma propaganda cerrada e especializadíssima, inventada pelo “Sistema” para (como se diz vulgarmente) “lhes fazer a cabeça”. E lhes causar a (falsa, mas grata) impressão de que, ao escolherem apenas as opções que o “Sistema” lhes apresenta e recomenda, estão realmente a ser livres e a exercer essa Liberdade preciosa. Ignorando as outras opções, que passam a ter na conta de esquisitas, minoritárias, desprezíveis, criminosas, até.

  3. Comparemos os casos da Bielo-Rússia, Ceuta e Cabo Delgado). Apesar de a História ser uma ciência (não exacta), é lícito a um europeu (e nós, portugueses, somos europeus), interpretar a História com olhos de europeu. E não com os daqueles que não são europeus. O objecto, os factos, é sempre o mesmo. Porém as interpretações, dentro de certos limites, podem ser algo diferentes. Comecemos por Ceuta.

  4. Milhares de ilegais marroquinos e africanos invadem Ceuta, Melilla e ilhas Canárias). Para quem não saiba, o partido nacionalista VOX (de Santiago Abascal) ganhou as últimas eleições gerais (Nov. de 2019) nas províncias de Múrcia (28%) e de Ceuta (35%). Ora foi precisamente em Ceuta que, dias seguidos e apesar de perseguidos pela polícia e exército, se registou a invasão de mais de 9 mil imigrantes ilegais, (quase todos jovens e desordeiros), com o absurdo e débil pretexto de Espanha ter autorizado o tratamento hospitalar do velho líder saharauí da Frente Polisario. Videos privados mostram os guardas marroquinos a abrir a vedação aos ilegais, os quais chegam também trepando ou a nado. Nas Canárias, em semanas, os traficantes conduzem outros milhares em barcos velhos e largam-nos. A débil polícia espanhola do PSOE recolhe todos. Em Ceuta e nas Canárias, boa parte deles são menores. E a democrática Espanha sente-se na absurda “obrigação” de os não devolver. E as fronteiras, em África, são fronteiras da U. Europeia… Os islâmicos e os traficantes (também islâmicos) esfregam as mãos de contentes. A Colonização vai-se fazendo e o tráfico de droga acelera…

  5. O DAESH invade a província de Cabo Delgado!) O canto nordeste da nossa antiga colónia de Moçambique é vítima, desde há vários anos, de incursões assassinas dos ultra-extremistas pseudo-muçulmanos, os quais nem mulheres nem crianças poupam. Milhares de mortos, mais ainda, de deslocados. E uma rica empresa francesa de prospecção de petróleo e gás fecha portas, com grande prejuízo para todos.

  6. No meio destes dramas, a esquerda democrática ofende-se com… Lukashenko). Unanimemente. Em fins de Maio, estas “napoleónicas ovelhas com dentes de lobo” dizem que o caso mais grave foi o de um avião civil que voava da Grécia para a Lituânia, ter sido obrigado a aterrar em Minsk, para investigar uma ameaça de bomba, que se revelou fictícia. Por a situação se passar no espaço aéreo russo-branco (e a ordem ter sido dada por Lukashenko), nem o benefício da dúvida foi dado; e logo se levantou um ensurdecedor coro de protestos, desde a insegura Ursula v. d. Leyen (agora em sintonia com o melífluo C. Michel…) até ao eterno e faminto “lobo com sebenta e puída pele de cordeiro”, Stoltenberg. De pretexto serviu o facto de, a bordo viajar o jovem Protashevitch, uma espécie de “Rui Pinto local” , organizador de mega-manifestações contra o governo, o qual foi preso.

  7. O interesse europeu nunca deve passar por provocar a europeia Rússia). Da qual, até Yeltsin (1992), faziam parte a Ucrânia e a Bielo-Rússia. Mas sim, defender as suas fronteiras e a sua cultura, da imigração ilegal em massa, de povos não- europeus.



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