Fotografia: Arquivo DM

Arcebispo Primaz lança apelo à responsabilidade individual no combate à pandemia

«Não permitamos que o dia de amanhã seja pior. Trabalhemos hoje para nosso bem e bem da sociedade. Obrigado».

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz
11 Jun 2021

Os dados das autoridades alertam para uma situação em que o desconfinamento poderá ser colocado em risco por causa do elevado número de infectados no concelho de Braga.
Como Igreja, não estamos em tempo de alarmismos mas teremos de reassumir a responsabilidade colectiva de inverter a curva ascendente.

Da minha parte, já tenho solicitado um compromisso responsável às nossas comunidades. Importa não baixar a fasquia e continuar a cumprir escrupulosamente todas as orientações da Direção Geral da Saúde quanto à higienizarão dos espaços, ao distanciamento físico das pessoas e ao uso das máscaras. Isto nas celebrações litúrgias e em todas as actividades que as paróquias realizem.

Não temos a responsabilidade do que acontece fora dos nossos espaços. Temos, porém, o dever cívico, em consonância com a tarefa de formar as consciências, de elucidar e motivar para comportamentos responsáveis. Não podemos enveredar por desculpas fáceis.

Queremos e trabalhamos para que os nossos espaços sejam lugares seguros.
Para além do que, como comunidades cristãs, devemos ir concretizando, sinto-me no dever de interpelar todos os bracarenses, da cidade e das freguesias, a que enveredem por comportamentos concretos que possam garantir não só que a situação não evoluirá para pior mas que juntos conseguiremos impedir o contágio.

Urgência em tomar
atitudes preventivas

Todos temos conhecimento do que nos compete fazer. Urge que sejamos capazes de passar das palavras aos actos. Alguns podem pensar que já estão vacinados e que estão livres do perigo. Outros imaginam-se protegidos pelos cuidados que vão tendo. Trata-se de uma verdadeira campanha feita de pequenos gestos e atitudes. Terão de ser vividos em casa, no ambiente de trabalho ou de ensino.

Teremos de chegar aos momentos e espaços de diversão e de convívio. Isto poderá custar um pouco. Uma pequena atitude feita a pensar no bem comum custa muito pouco. O egoísmo complica sempre a vida e as consequências do seu exercício deturpam a alegria de viver em sociedade. Não basta pensar em nós e na satisfação dos nossos desejos. Somos, de verdade, um grande corpo onde o bem ou o mal de uns condiciona o todo do corpo social.

Ser pacientes
para ganhar o futuro
Viemos de uma caminhada longa de sacrifícios. Aspiramos ardentemente por dar por concluída esta anormalidade no nosso quotidiano. Pensar que tudo já passou é uma ilusão. Não podemos voltar a condicionar a alegria de viver uns com os outros. S

onhamos com as festas e com as festas populares que marcam a nossa tradição colectiva.
Vamos ter de perder alguma coisa para poder ganhar tudo num futuro que queremos próximo. Precisamos de orientações concretas e exigentes e as autoridades não podem contemporizar com atitudes de negligência ou irresponsabilidade. Tudo passa por uma responsabilização pessoal onde ninguém pode ser substituído.

A importância
de pequenos gestos

Queremos a alegria das festas, do convívio, de momentos de fraternidade jubilosa. Saibamos esperar mais um pouco para as viver como acontecia no passado. Esta responsabilização é de todos. Sei que custa muito mais às camadas mais jovens. Também reconheço a sua capacidade de sacrifício por causas comuns. Também sabemos que as incidências últimas estão a acontecer nesta idade.

Da minha parte, não quero impor nada a ninguém. Só gostaria que este assunto entrasse nas conversas, que não necessitam de ser em lugares públicos e com aglomerados significativos, de modo a que os pequenos gestos de atenção acontecessem na vida de todos.
Não permitamos que o dia de amanhã seja pior. Trabalhemos hoje para nosso bem e bem da sociedade. Obrigado.





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