Espaço do Diário do Minho

Os humanos humanos

15 Jun 2021
António Cândido de Oliveira

O título “Os humanos humanos” parece uma repetição, mas não é. Todos somos humanos, mas nem todos somos humanos.

Por humanos, entendemos os seres semelhantes a nós que vivem à face da terra. São actualmente cerca de oito mil milhões, tendo a China mais de um milhão e quatrocentos mil e os Estados Unidos mais de trezentos milhões. Portugal tem dez milhões o que significa um pouco mais do que um em mil. Mas são também humanos os que se caracterizam pela sua humanidade, querendo com isso dizer bondade, compaixão e ajuda pelo próximo, numa palavra, os que se alegram com o bem do seu semelhante e os que sofrem com o seu sofrimento. E estes, então, são menos.

É dos humanos humanos que queremos tratar e dizer que eles devem ser o exemplo e o sentido da nossa vida.

Como é bom ver um pai e uma mãe dedicados aos seus filhos e que se sacrificam, quanto necessário for, para o bem de todos. Homem (o mesmo se diga da mulher) que não abandona o lar porque sente e vive a responsabilidade de ter uma mulher e filhos. E não abandona o lar até tendo motivos para o fazer, mas considerando que são maiores as razões que o levam a manter a vida familiar, desde logo pelo bem dos filhos.

Como é bom ver um casal sem filhos, que não azeda por esse facto e antes se preocupa com o bem estar dos outros desde logo as crianças, sabendo que todas as crianças do mundo são nossos filhos ou nossos netos, conforme a idade.

Como é bom ver humanos que não vivem só para si, para o seu bem estar.

Como é bom ver humanos capazes de perdoar as ofensas que lhe foram feitas, mesmo não rezando o Pai Nosso (ou rezando-o).

Humanos que tendo sido ofendidos, humilhados, agredidos, presos ou vítimas de outro mal não se vingam, mas sofrem em silêncio, pedem justiça, mas não retribuem o mal que lhes foi feito. Apenas um exemplo: Nelson Mandela e a sua vida depois de 27 anos preso por razões políticas.

Humanos que sabem que devemos transmitir a natureza melhor do que a encontramos aos nossos filhos, às gerações futuras e por isso a acarinham e procuram preservar e recuperar.

Humanos que por culpa, desleixo, incúria nossa, talvez, precisam da nossa atenão, pois correm o risco de perder a dignidade e de se tornaram capazes de praticar as maiores atrocidades..

Estas linhas foram escritas em dia de Santo António (13 de julho de 2021) e depois da releitura nestas semanas mais próximas de “Fratelli Tutti” e “Laudato Si’” recentes documentos da Igreja dirigidos aos crentes, mas também a todos os humanos.



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