Espaço do Diário do Minho

O elogio dos candidatos aos órgãos dos municípios e freguesias

25 Jun 2021
António Cândido de Oliveira

Participar nas eleições locais que decorrerão este ano de 2021 é uma decisão pessoal que muitos cidadãos e cidadãs vão ter de tomar ou por iniciativa própria ou porque para tal foram convidados.

Gostaria a este propósito de partilhar com os potenciais candidatos o n.º 180 da Encíclica “Fratelli Tutti” – Sobre a fraternidade e a Amizade Social, carta dirigida pelo Papa Francisco a todos (crentes e não crentes) , acompanhando-o de breves comentários.

É um parágrafo forte que começa assim: “Reconhecer todo o ser humano como um irmão ou uma irmã e procurar uma amizade social que integre a todos não são meras utopias. Exigem a decisão e a capacidade de encontrar os percursos eficazes que assegurem a sua real possibilidade”.

Daqui resulta a ideia de uma fraternidade universal que não é uma mera utopia, mas uma possibilidade. Para os crentes é o resultado necessário de nos considerarmos todos (crentes e não crentes) filhos de Deus. Para os não crentes é uma atitude de vida e uma convicção.

Continua o parágrafo: “Todo e qualquer esforço nesta linha torna-se um exercício alto de caridade. Com efeito, um indivíduo pode ajudar uma pessoa necessitada, mas, quando se une a outros para gerar processos sociais de fraternidade e justiça para todos, entra no “campo da caridade mais ampla, a caridade política”. Trata-se de avançar para uma ordem social política, cuja alma seja a caridade social

Há neste passo a distinção entre a caridade individual (ajuda a pessoa necessitada) e a caridade mais exigente e mais ampla, ou seja, a caridade que abrange uma sociedade, a caridade política, procurando o bem de todos.

E o parágrafo n.º 180 termina deste modo: “Convido uma vez mais a revalorizar a política que é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum”.

Quando os crentes têm muitas vezes tendência a desvalorizar, a desprezar mesmo, a política eis aqui, num documento da Igreja, que repete o que é dito em muitos outros documentos e por vários papas o elogio da política.

É por isso que poderemos afirmar que participar na vida política, desde logo a nível local, procurando o bem da freguesia ou do município onde residimos não precisa de justificação, pois é natural no crente. Pelo contrário, quem precisa de se justificar é quem não participa.

Claro é também que esta participação na vida política deve ter um estilo e um compromisso especial. Não se trata de lutar para “tomar” o poder, trata-se de utilizar os cargos para que, porventura, se foi eleito para “servir”, contribuindo para o bem comum. Sobre esse estilo e compromisso falaremos de novo.



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