Espaço do Diário do Minho

4 de Agosto: S. João Maria Vianney, o Santo Cura de Ars

31 Jul 2021
Rui Rosas

Em 8 de Maio de 1786, nasce em Dardilly, nas proximidades da cidade francesa de Lyon, o quarto filho de uma família modesta de camponeses, que havia de falecer, como sacerdote santo e grande confessor, numa pequena localidade de nome Ars, a 4 de Agosto de  1859.

Não foi fácil a sua vida de infância e de adolescência, porque são anos incertos e de duros conflitos  sucessivos no seu país natal, que dão pelo nome de Revolução Francesa. Inclusivamente, nos tempos napoleónicos, João Maria é recrutado por engano para o exército imperial, mas uma doença inesperada o reteve, pelo que a sua ausência determina que seja considerado um desertor. Esta situação obriga-o a viver, escondido, entre 1809 e 1811 numa região montanhosa, até que uma  amnistia lhe permite regressar à sua aldeia. Aí está presente no falecimento de sua mãe.

A vontade de servir a Deus leva-o a manifestar o seu desejo de ser sacerdote. Mas também aqui os contratempos são numerosos, sobretudo porque João Maria tem bastantes dificuldades no tratamento e na aprendizagem da língua latina, pelo que é mandado embora do seminário, ainda que reconheçam o comportamento exemplar do seminarista.

Um sacerdote excepcional, o P. Balley, que o tinha acompanhado no início dos seus estudos, prontifica-se a continuar a prepará-lo para a concretização da sua ordenação sacerdotal. Por seu intermédio, João Maria é admitido às ordens sagradas e, no dia 13 de Agosto de 1815, Mons. Simon, Bispo de Grenoble, ordena-o. Contava 29 anos. O seu protector continua a ajudá-lo nas diversas matérias eclesiásticas até 1818 quando morre. E em 9 de Fevereiro o sacerdote Vianney, até então coadjutor do P. Balley em Ecully, é enviado pelo arcebispo de Lyon para pastorear a pequena aldeia de Ars, que fazia parte da parte da paróquia de Mizérieux. Aí se mantém até Deus o chamar para a sua presença. Viveu 73 anos.

Desde o início, dedica-se com toda a alma aos habitantes da povoação, visitando-os casa por casa e atendendo de forma muito paternal as crianças e os doentes. Restaura a igreja e amplia-a. Simultaneamente, ajuda fraternalmente os sacerdotes das terras vizinhas. A sua vida é de extrema penitência, de profunda oração e de inesgotável caridade, até ao ponto de ficar sem nenhuns bens, em prol dos pobres. Como acontece com muitas pessoas santas, foi objecto de calúnias e incompreensões por parte de vizinhos e sofreu interiormente  grandes padecimentos, motivados por escrúpulos e perplexidades.

A sua colaboração com as paróquias próximas, leva-o a pregar e a confessar por ocasião de missões, jubiléus e trabalhos quaresmais. Tudo isso chama a atenção dos fiéis, que nele encontram um sacerdote muito especial, atractivo no que aconselha e, certamente, de natural exigência, sempre que se torna necessário. No entanto, sentem a força da sua presença e das suas palavras. Por isso, começam a procurá-lo como confessor e conselheiro. Paulatinamente, as fronteiras dos que acorrem a Ars para o consultar e receber os seus pareceres aumentam de tal modo, que na estação ferroviária de Lyon é necessário montar um compartimento especial para fornecer bilhetes de ida e volta aos peregrinos que tentam contactar o Cura de Ars. A sua fama propagou-se a toda a França e até superou as fronteiras deste país.

O sacerdote que tantas dificuldades teve para se ordenar, em virtude das suas deficiências de aprendizagem como aluno do seminário, torna-se um conselheiro procuradíssimo por milhares e milhares de almas. O seu tempo está completamente preenchido pela actividade pastoral. Dorme pouquíssimo, tem uma alimentação muito parca e dedica tempos infindos a atender as pessoas, sobretudo no confessionário. Por vezes, dezasseis horas diárias.

Tanto esforço e tanta dedicação, ao longo de toda a vida – na qual se registaram também algumas manifestações verdadeiramente milagrosas, como a da multiplicação da massa para cozer o pão, que salvou duma situação desesperada as pessoas acolhidas na “Casa da Providência” por ele fundada –, começou a aproximá-lo, a pouco e pouco, do seu termo. Em  29 de Julho de 1859, o padre João Maria sentiu-se indisposto. Era uma sexta-feira. Mas não se privou de, uma vez mais, descer à igreja à uma hora da noite. Durante a manhã, não conseguiu manter-se sempre no confessionário. Pregou pela última vez, chorando abundantemente. À noite piorou e quem o assistia compreendeu que o Cura de Ars se encontrava perto da morte. O que aconteceu, santamente, na quinta-feira seguinte, 4 de Agosto de Agosto de 1859.

S. Pio X beatificou-o a 8/01/1905 e Pio XI determinou a sua canonização em 31/05/1935.



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