Espaço do Diário do Minho

Era uma vez Obama!

1 Ago 2021
Paulo Sousa

Nunca pensei que uma simples ideia, uma vontade, um desejo, se quiserem, tivesse tal efeito, a ponto de mobilizar tanta gente, que, acreditando como eu, que é possível, o fizesse sem pejo, sem hesitação. Hoje, agradeço pela segunda vez aos que acreditaram, aos que perceberam que é possível ser diferente, sobretudo aos que se empenharam para que não caísse na desgraça da maledicência – tão comum na sociedade portuguesa.

Em particular, agradeço aos que deram a cara, aos que com o simples gesto de se identificarem, assinaram o seu compromisso para com o Manifesto contra a Indiferença que, amanhã, volta a ser notícia pelas melhores razões, com o anúncio do compromisso de dezenas de associações juvenis e culturais. É um encontro intergeracional no que constitui uma dupla satisfação; a de juntar a irreverência e a experiência. É um grande desafio o que nos espera: o combate à Indiferença. Um combate que exige ponderação, mas, simultaneamente, convicção de que o caminho, sendo difícil, faz-se caminhando como nos lembra o poeta. É uma maratona exigente, cheia de pedras e armadilhas, ciúmes, maledicência e má vontade. No fim, não tenho dúvidas, ganha a Verdade e a vontade dos que acreditam que é possível inverter a curva da abstenção. Sim. Podemos! Podemos inverter a Indiferença com que muitos de nós encaramos os desafios da Democracia que tantos e tantas ergueram à custa do sacrifício pessoal e familiar. Neste tempo de descrença nos factos, só a união de esforços e a disponibilidade de cada um pode superar as barreiras da desconfiança e da descrença de muitos e de muitas no sistema político. É nossa obrigação contribuir para a Mudança, não é nossa obrigação perpetuar a estranha vontade de alguns de nada fazer. Por muito que haja quem se dedique a essa iniquidade – como se daí adviesse um prémio pela capacidade de manipulação dos outros para nada fazer – a vontade dos que acreditam na Mudança de paradigma, prevalecerá. Olhem para o outro lado do Atlântico e refletiam comigo sobre a causa de um Homem chamado Barack Obama quando iniciou a sua carreira política. A sua campanha a solo a favor do voto inspirou milhões de norte-americanos. Este episódio de vida do político norte-americano não me inspirou para lançar o Movimento de Cidadania contra a Indiferença, mas ajudou-me e muito a fortalecer a minha convicção de que é possível mudar o sistema quando acreditamos. Só soube da sua aventura porque fui avisado pela deputada Palmira Maciel que me ligou quando leu numa página do seu último livro e fez questão de anotar o meu nome junto da passagem em que o ex-presidente dos Estados Unidos relata o lançamento da sua campanha a favor do voto, no início da sua intervenção política, ainda jovem. Foi crucial este momento, porque percebi como é importante acreditar e porque sem Paciência, Persistência e Resistência, não chegamos a lado nenhum.

Acreditem cidadãos e cidadãs, a Democracia exige de cada um de nós um esforço contínuo de participação e intervenção, capazes de consolidar os valores e princípios que herdamos, por muitas que sejam as entropias a que cada um de nós está sujeito. Chegamos a uma fase em que não podemos voltar atrás nem ter medo de encarar o futuro. O que precisamos mesmo é de acreditar, que o sobressalto que nos uniu nesta causa, terá consequências e será, indubitavelmente, uma marca da união de uma imensa maioria em Portugal. Temos de ser ambiciosos e capazes de convencer os que hoje estão do outro lado da razão, ainda que o seu direito á indignação seja tão legítimo, para que não fiquem fora do barco. O que nos cabe fazer, não é apenas uma questão aritmética, mas é a demonstração da capacidade de mostrarmos a nossa convicção de que nos podemos dedicar a uma Causa, capaz de gerar valor.

Dentro de dias e depois das associações, será a vez dos empresários se mobilizarem para expandir e solidificar este Movimento. Só me resta pedir para que não desistam e se reinventem para que não se apague a chama de Obama.



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