Vídeo: Nuno Cerqueira

Tradições e festas religiosas no distrito de Braga.

Nuno Cerqueira
25 Agosto 2021

À semelhança do ano passado, as limitações causadas pela pandemia da covid-19 marcaram mais uma vez uma das carismáticas romarias do Minho.

O São Bartolomeu do Mar, ali mesmo naquela que é uma das freguesias mais pequenas do país, trouxe os fiéis à missa e ao terço, os dois rituais que ainda resistem ao vírus.

O concelho de Esposende é por esta altura um dos locais dos país onde o vírus “anda à solta”. E isso tem reflexo nas normais atividades, celebrações e tradições da terra onde desaguam o Cávado e Neiva. Ontem mesmo, como assim aconteceu no ano passado, não houve banho santo oficial, assim como outras atividades da festa – concertos e procissão – que é a maior do concelho de Esposende.

No entanto as galinhas pretas sairam da capoeira para passar debaixo do andor de São Bartolomeu do Mar e Júlio Oliveira, natural de Apúlia mas casado há mais de 20 anos em Mar, decidiu dar uso ao traje de sargaceiro para a tradição não se perder, tornado-se assim no novo banheiro do “santo banho”.

«É a primeira vez que o faço. Sempre gostei desta tradição. Já não havia gente que o fizesse. Então falei com a comissão de festas e vim ajudar. Esta é uma dos rituais mais bonitos que temos», disse Júlio Oliveira, enquanto vai recebendo uma notitas sempre que leva uma criança ao mar.

«Este mar ajuda as crianças a ultrapassar algumas maleitas. A tradição é antiga», afirmou Júlio.

 

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E não vá o diabo tecê-las, é melhor continuar a mandar as crianças ao mar. Tudo sob o dominínio do número três. «A onda pode ser qualquer uma», explicou o banheiro. Sob olhar atento de António Capitão, o veterano banheiro, Júlio vai levando as crianças ao banho sempre que uma família pede.

Mas há outras que o fazem de forma autónoma, rebentendo nas ondas do mar as crianças trazidas para combater as maleitas da tenra idade.

«Um ritual que dizem ter uns 300 anos», afirmou António Capitão, dando nota que anda cansado e que a morte da companheira, deixou sem vontade e força para a missão de banheiro. «Tem que haver mais gente nova, senão isto morre», disse.

Sem o santo a deambular pelos godos que vencem o cada vez mais curto areal, são os adultos que levam as crianças até ao mar.

«Esta água mata tudo, só não mata o covid», ouviu-se na godaria de quem aproveitou o raro dia de bom tempo na costa de Esposende, levando consigo os fotógrafos das redes sociais.


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