Fotografia: Cassilda Rodrigues/Encontro Luso-Galaico

“Sons do Noroeste” apresenta riqueza musical luso-galaica

Festival decorre no próximo domingo, dia 29, no Altice Forum Braga.

Luísa Teresa Ribeiro
25 Ago 2021

O Festival Sons do Noroeste apresenta, no próximo domingo, dia 29 de agosto, no Altice Forum Braga, o resultado do Encontro Luso-Galaico, depois da itinerância deste projeto cultural pelos dez concelhos do Alto Minho.

Pelo palco vai passar a riqueza cultural da região, com a apresentação do trabalho criativo que foi desenvolvido nas áreas da música e da poesia, a que se juntam intérpretes galegos e portugueses conceituados, designadamente Uxía e Camané.

A diretora artística do Encontro Luso-Galaico, Ana Carvalho, explica que o espetáculo de Braga «será a finalização deste longo projeto, que dura há alguns meses», proporcionando «um verdadeiro encontro luso-galaico», uma vez que vai ser apresentada ao público «a junção do processo de criação que foi feito nos vários municípios», a que se acrescenta o cruzamento com os músicos galegos.

O programa começa pelas 18h00 com a apresentação das músicas trabalhadas por 11 onze coros, no âmbito do segmento intitulado “Trobadores & Soldadeiras”.

Neste âmbito, o Projeto Cardo – uma associação cultural focada na preservação, divulgação e promoção da música tradicional portuguesa – selecionou uma música por concelho, tendo solicitado a compositores locais que fizessem novos arranjos. Essas obras foram trabalhadas com os coros, na perspetiva de serem incorporadas no seu repertório.

Depois de cada coro se ter apresentado no seu concelho de origem, o espetáculo de Braga dá a oportunidade ouvir as todas as criações num único concerto.

Para além do representante bracarense, o Coro Académico da Universidade do Minho, pelo palco vão passar o Arcos Vocare (Arcos de Valdevez), Coro Contraponto (Viana do Castelo), Coro de Parada do Monte (Melgaço), Coro de Santa Maria de Muía (Ponte da Barca), Coro Infanto-Juvenil de Vila Nova de Cerveira (Vila Nova de Cerveira), Escola de Música Fernandes Fão (Caminha), Grupo Coral de Santo António (Monção), Grupo de Cantigas da Associação de Padornelo (Paredes de Coura), Vocalis Contrasta (Valença) e Orfeão Limiano (Ponte de Lima).

Segue-se o Projeto Cardo, com duas músicas galegas do cancioneiro galaico-português, que são apresentadas com novos arranjos, feitos no âmbito deste projeto.

Ao palco sobe depois Uxía, uma das maiores embaixadoras da música e poesia galaico-portuguesa, que vai interpretar fado com o Ideal Clube de Fado – grupo de artistas dedicado à preservação e divulgação do Fado Tradicional – e uma música portuguesa.

À noite, a partir das 21h00, o Ideal Clube de Fado apresenta outra da vertentes do “Trobadores & Soldadeiras”, interpretando 11 poemas selecionados entre as obras criadas nas oficinas de escrita de poesia para Fado Tradicional que decorreram nos dez concelhos do Alto Minho e em Braga. (Saiba mais aqui)

Este grupo continua em palco para acompanhar o cantor galego Davide – que se apresenta com o seu trio, Fransy, Davide & Cibrán – na interpretação de fados.

O espetáculo fecha com o famoso fadista Camané, que traz a Braga o álbum “Camané canta Marceneiro”, a sua homenagem à figura mítica do fado lisboeta.

Entretanto, amanhã, dia 26 de Agosto, a partir das 19h00, no Parque de S. João da Ponte, o Ideal Clube de Fado apresenta o resultado das oficinas de escrita de poesia para Fado Tradicional de Braga.

A entrada é livre, mas sujeita à reserva de bilhete (bilheteira@encontrolusogalaico.pt).

 

Trabalho com a comunidade deixa legado cultural vivo

A diretora artística do Encontro Luso-Galaico, Ana Carvalho, afirma que o objetivo deste projeto foi «trabalhar diretamente com as comunidades», deixando um legado cultural que vai continuar vivo.

«Considerou-se que seria importante envolver as comunidades porque a partir daí estava salvaguardado que o projeto teria continuidade», explica ao Diário do Minho a também presidente da Associação Narrativa Provável.

Esta responsável refere que os 11 coros que participaram no Encontro Luso-Galaico vão incorporar no seu repertório as músicas que trabalharam, fazendo com que o projeto continue vivo mesmo depois de terminar.

Ana Carvalho revela que vai ser publicado um Cancioneiro da Música Tradicional do Minho e que vão ser disponibilizadas para consulta pública as partituras dos arranjos feitos no âmbito deste projeto. Contudo, ressalva a importância de haver quem dê vida a este material, algo que está assegurado com o trabalho que foi feito a nível local, com a criação de «agentes de preservação desse património, que está salvaguardado para além da vigência temporal do projeto».

«O projeto não se extingue porque vai ficar guardado na memória das pessoas que dele fizeram parte, que o vão transmitir e lhe vão continuar a dar vida», declara, lembrando que grande parte da música tradicional tem sido perpetuada através da transmissão oral.

Da mesma forma, também os poemas criados nas oficinas de escrita de poesia para Fado Tradicional vão ser disponibilizados para consulta pública.

«A indicação que temos de muitos dos cantores que estão a trabalhar com o Ideal Clube de Fado é que vão manter alguns dos poemas nos seus repertórios», o que faz com que continuem vivos e a chegar a cada vez mais pessoas, adianta.

A diretora artística destaca a qualidade dos poemas produzidos nessas oficinas, em que as pessoas aprenderam as regras da poesia para Fado Tradicional, que tem uma métrica específica, e depois deram largas ao seu talento, com a produção de obras ao nível de autores de renome.

 

Portas abertas para intercâmbios e maior participação galega

O Encontro Luso-Galaico está «a abrir portas para futuros intercâmbios e quem sabe para um novo projeto com maior participação galega».

A perspetiva é traçada pela diretora artística do Encontro Luso-Galaico, Ana Carvalho. Embora sem poder «prever o futuro», destaca que os ensaios com músicos portugueses e galegos mostraram que «é muito fácil fazer o cruzamento, quer da língua, que acaba por ser a mesma, quer em termos musicais».

Esta responsável salienta a vontade manifestada por muitos municípios de darem continuidade às oficinas, com mais tempo, de forma a permitir a participação mais alargada da população.

Por outro lado, sustenta que este projeto foi o “motor” para alguns dos coros se voltarem a reunir para cantar ao fim de mais de um ano de paragem por causa da pandemia.

Ana Carvalho descreve a emoção que as pessoas sentiram de voltar ao palco, com público a assistir ao concertos.

Em seu entender, o Encontro Luso-Galaico contribuiu para que as pessoas voltassem às praças, reanimando o espaço público. «O projeto tem galvanizado as pessoas em torno da ideia de estarmos juntos e de nos expressarmos através da música», diz.

A diretora artística sublinha que tem sido emocionante os autores ouvirem os poemas que criaram interpretados por artistas profissionais.

O Encontro Luso-Galaico é promovido pela Fundação Consuelo Vieira da Costa, Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, Câmara Municipal de Braga e Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações. O projeto é co-financiado pelo Norte2020, Portugal 2020 e União Europeia através do fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). Saiba mais sobre o projeto aqui.





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