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Galiza promove percursos pelas rotas dos vinhos de denominação de origem.

Luísa Teresa Ribeiro
6 Set 2021

Uma viagem que alia o vinho à gastronomia, ao património e às paisagens é o que propõe o comboio turístico da Rota do Vinho de Monterrei, em Ourense, na Galiza. Este é um dos 11 percursos que estão à espera dos visitantes minhotos.

Um dia bem passado é o que está à espera de quem se aventura num passeio no comboio turístico da Rota do Vinho de Monterrei, na Galiza. A partida é de Ourense, a pouco mais de hora e meia de Braga, mas há a opção de se ir de comboio desde Vigo e Santiago de Compostela sem custos adicionais.

Dada a proximidade territorial, os comboios turísticos estão à espera dos visitantes minhotos, como explica a gerente do INORDE – Instituto Orensano de Desenvolvimento Económico ao Diário do Minho. Emma González sublinha o «intercâmbio» de visitantes que marca a relação entre a Galiza e o Norte de Portugal, destacando que Ourense é a província espanhola com mais quilómetros de fronteira com Portugal.

Esta responsável refere que o INORDE foi pioneiro na introdução dos comboios turísticos na Galiza, tendo os primeiros surgido na província de Ourense, fruto da articulação com a Renfe (empresa ferroviária espanhola) e com o Turismo da Galiza. Atualmente há 11 percursos, sendo que cinco partem de Ourense, ligados às rotas dos vinhos de denominação de origem.

É precisamente nesta estação que um comboio colorido espera os turistas para a saída às 9h25. Pouco depois do início da viagem, atravessa-se o rio Minho, avistando-se várias das oito pontes da cidade de Ourense.

No percurso até à estação de A Gudiña, a natureza marca a paisagem, enquanto a guia Ana Rodal explica a história e os múltiplos atrativos da região, entre os quais a Via da Prata a Caminho de Santiago, os monumentos ou os afamados festejos carnavalescos (os “Entroidos”).

Segue-se um trajeto de autocarro até Verín, onde a primeira paragem é nas Bodegas Gargalo, propriedade do célebre criador de moda Roberto Verino. Apaixonado pela sua terra-natal, o estilista adotou o apelido em homenagem a Verín – seu nome é Manuel Roberto Mariño Fernández – e ali investiu há 25 anos numa quinta com cerca de 8 hectares e uma produção anual de vinho de aproximadamente 100 mil garrafas, sendo 80% branco. Com vista para o castelo de Monterrei, percorrem-se as vinhas, visita-se a adega onde as garrafas surgem acompanhadas por fotografias de criações de Roberto Verino e prova-se o vinho.

O grupo dirige-se a seguir para o castelo, mandado construir por Afonso X, em 1262. Dada a proximidade de Portugal, esta foi uma importante estrutura defensiva, que foi considerada «a maior acrópole da Galiza», com duas torres e dois conventos, sendo um Jesuíta e outro Franciscano. Para além da função militar, este foi um relevante centro de cultura, havendo a indicação de que aqui ocorreu a impressão do primeiro livro na Galiza, o Missal Auriense, que atualmente pode ser encontrado na catedral de Ourense.

Na visita destaca-se a fachada do antigo Hospital da Trindade, hoje convertido em centro cultural; a igreja de Santa María de Graza, designadamente a porta norte e um retábulo românico de granito que narra a Paixão de Cristo em 12 cenas; e a subida à torre de menagem, que permite uma vista panorâmica sobre as redondezas. No interior da fortificação existe uma unidade hoteleira.

Com o sol a começar a apertar, é oportuna a prova proporcionada pelo Conselho Regulador da Denominação de Origem de Monterrei, na vinha experimental do INORDE, localizada junto ao castelo. Criada em 1994, Monterrei é uma das cinco denominações de origem do vinho galego, sendo quatro na província de Ourense. Esta Denominação de Origem abrange os concelhos de Verín, Monterrei, Vilardevós, Riós, Oimbra e Castrelo do Val. As vinhas ocupam um total de 631 hectares, havendo 27 produtores.

Com o período de almoço livre, a escolha recaiu sobre o restaurante Regueiro da Cova (Rua da Alameda, 21, Verín), em que a chefe Begoña Vázquez aposta numa cozinha de proximidade, com destaque para os produtos locais. Carpaccio de courgette com queijo de As Neves, focaccia de castanha com tártaro de vitela, risoto com presunto de pato, bochecha de porco com puré de batata e um caramujo e tarte de Santiago harmonizaram com vinhos de Monterrei.

Depois do repasto, nada como rumar até Allariz para visitar o XI Festival Internacional de Jardins, que decorre até ao fim de outubro, tendo como tema a Poesia. Localizado na margem do rio Arnoia, apresenta 12 jardins, num espaço com mais de 20.000 metros quadrados, tendo recebido até final do mês de agosto 25.000 visitantes. Semelhante ao Festival de Ponte de Lima, convida a passear num espaço aprazível e a apreciar a criatividade transformada em jardins efémeros.

O último trajeto de autocarro é até à estação ferroviária de Baños de Molgas, transformada num espaço museológico no âmbito de um projeto de revitalização destes equipamentos da responsabilidade do INORDE. O edifício acolhe agora um museu dedicado ao humorista Moncho Borrajo, natural daquela localidade, que mostra ao público o seu espólio, com curiosidades como uma coleção com mais de 2 mil anéis.

Depois de um dia bem recheado, o comboio leva os viajantes de volta a Ourense, onde se chega pelas 21h00.

Onze rotas convidam à descoberta da região

Os comboios turísticos da Galiza têm onze rotas, com passeios aos sábados, entre junho e outubro, permitindo conhecer a região sem a preocupação de conduzir.

Com os trajetos feitos de comboio e autocarro, os percursos são: Rota do Vinho de Monterrei; Rota dos Vinhos das Rías Baixas (11 de setembro, com saída de Santiago de Compostela); Rota do Vinho da Ribeira Sacra – Rio Sil (18 de setembro e 2 de outubro, com saída de Ourense); Rota dos Paços e Jardins Históricos da Galiza (25 de setembro, com saída de Santiago de Compostela); Rota dos Vinhos do Ribeiro e Rías Baixas (9 de outubro, com saída de Ourense); Rota do Vinho da Ribeira Sacra – Rio Minho; Rota dos Vinhos da Ribeira Sacra e Valdeorras; Rota dos Faróis; Rota da Lampreia; Rota dos Mosteiros; e Rota dos Caminhos de Santiago.

O bilhete custa 45 euros para adultos e 20 euros para crianças dos 3 aos 13 anos. Grupos com dez ou mais adultos têm um desconto de 15%. A aquisição pode ser feita na Renfe

Ação promocional divulga destino termal transfronteiriço

Durante o mês de setembro, um autocarro promocional vai percorrer vários pontos de Portugal e da Galiza a divulgar o destino Raia Termal, no âmbito de um projeto de valorização dos recursos termais transfronteiriços raianos de Ourense e do Norte de Portugal, envolvendo municípios minhotos como Melgaço e Terras de Bouro.

A revelação é feita pela gerente do INORDE – Instituto Orensano de Desenvolvimento Económico, entidade que convidou recentemente a imprensa para conhecer o comboio turístico da Rota do Vinho de Monterrei, com saída da estação ferroviária de Ourense.

Em declarações ao Diário do Minho, Emma González destaca a importância da cooperação transfronteiriça para a promoção conjunta de produtos turísticos comuns à Galiza e ao Norte de Portugal em mercados mais alargados.

Esta responsável explica que a atividade do INORDE é transversal a todas as áreas do desenvolvimento económico, mas atualmente destacam-se os esforços no turismo e no setor agrário.

No âmbito do seu trabalho, o INORDE foi escolhido pelo Governo espanhol para ser o responsável pela execução, nos próximos três anos, de um projeto de sustentabilidade turística de Ourense, no valor de três milhões de euros, que para além de algumas infraestruturas vai promover junto de novos públicos o potencial termal daquela província.

Um dos projetos em estudo é a criação de um parque lúdico semelhante ao Parque do Castelinho, em Vila Nova de Cerveira, mas com água termal.




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