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Produtor de vinho de Melgaço sustenta projeto de intervenção na comunidade.

Luísa Teresa Ribeiro
10 Set 2021

A criação de uma loja social na Casa da Vigia, em Valença, é o próximo passo do projeto “Germinar”, impulsionado pela Quinta de Soalheiro. No âmbito da intervenção na comunidade, o produtor de vinho de Melgaço comprometeu-se a canalizar 50 mil euros para a ação social.

A revelação foi feita pelo gestor e enólogo do Soalheiro, Luís Cerdeira, ao Diário do Minho à margem da apresentação à imprensa do Primeiras Vinhas de 2020, produzido com as uvas da primeira vinha contínua de Alvarinho de Melgaço e que deu origem à história do produtor.

Este responsável adianta que já foi assinado o protocolo com a tutela do património português para a cedência do apeadeiro onde vai funcionar a loja social, cuja abertura deverá acontecer em 2022. 

Esta será a evolução do projeto “Germinar”, que começou através do desafio lançado por um associado do Clube de Produtores do Soalheiro, António Matos, que também é assistente social. 

O projeto surge com o objetivo de contribuir para a «integração dos utentes da Delegação de Valença da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) no trabalho na vinha, de forma a promover o seu desenvolvimento pessoal, profissional e emocional».

No sentido de angariar verbas para autossustentar economicamente o projeto, foi lançado o vinho Germinar 2019, em que os utentes da instituição também conceberam os desenhos que deram origem ao rótulo e à respetiva caixa.

Como evolução do projeto social, este ano surgiu o Soalheiro Germinar – Loureiro Vinhas Velhas 2020.

«A loja social será vocacionada para ter a trabalhar alguém que precisa de novas oportunidades, mas também para gerar verbas para manter o projeto sustentável», diz, referindo que a lógica da intervenção passa por criar as bases de sustentabilidade que assegurem o futuro desta iniciativa. «O que estamos a fazer é criar oportunidades. Não estamos a dar o peixe, mas a ajudar a pescar», declara.

Luís Cerdeira afirma que a vertente social existe agora em toda a empresa Soalheiro, tendo sido fixado o desafio de investir 5 por cento do retorno financeiro de 2020 na área social, o que significa alocar 50 mil euros para este projeto de intervenção na comunidade.

Esta preocupação social insere-se no compromisso que a primeira marca de Alvarinho de Melgaço faz questão de estabelecer com o território onde desenvolve a sua atividade. O responsável destaca a importância de «trabalhar o compromisso das pessoas com o território», que tem levado o Soalheiro a desenvolver projetos junto da comunidade escolar, como a distribuição de um livro e de um jogo eletrónico pelos alunos dos agrupamentos de Monção e Melgaço. 

«Quando distribuímos o livro sobre a uva da casta Alvarinho por cerca de 3 mil alunos das escolas de Monção e Melgaço, em pleno confinamento, pusemos também os pais a lerem a publicação, contribuindo para elevar a sua autoestima, algo muito importante nos territórios de interior», destaca.

 

Soalheiro lança primeiro Loureiro

©DR

Assumidamente «especialista em Alvarinho», a Quinta de Soalheiro lançou este ano o monocasta Soalheiro Germinar – Loureiro Vinhas Velhas 2020, com uvas provenientes de uma vinha com mais de 30 anos, plantada no sopé poente do Monte de Faro, em Valença.

O gestor e enólogo do Soalheiro, Luís Cerdeira, revela que a empresa está a trabalhar o Loureiro «de uma forma séria». «A descoberta do Loureiro é longa, pois trabalhamos com esta casta desde 2004», refere o responsável ao Diário do Minho. Contudo, até agora, o Loureiro era usado apenas em conjunto com o Alvarinho, no Soalheiro Allo.

«Com este novo vinho de vinhas velhas, além de querer inovar e sair da nossa zona de conforto que é o Alvarinho, queremos valorizar um novo território para o Loureiro que, apesar de estar desde sempre ligado a esta casta através de um dos mais bem-sucedidos projetos de emparcelamento em Portugal, não tem sido associado à sua divulgação e afirmação a nível nacional e internacional», afirma.

A influência atlântica faz-se sentir, marcando a mineralidade do vinho e permitindo que se revelem os suaves aromas florais da casta.

 

Primeiras Vinhas espelha história do produtor

A Quinta de Soalheiro já lançou no mercado o Primeiras Vinhas de 2020, sendo este um vinho icónico que espelha a história da Quinta de Soalheiro, por ser feito com as uvas da primeira vinha contínua de Alvarinho deste produtor do concelho de Melgaço, a caminho dos 50 anos, e pela inovação que representou.

©DR

«O Primeiras Vinhas foi um vinho inovador, quando começou, em 2006», refere o gestor e enólogo Luís Cerdeira ao Diário do Minho, explicando que este vinho é «uma bandeira do Soalheiro», por ter as «uvas de uma vinha velha e por ter um estilo de vinificação diferente, que recorre à fermentação em barrica numa pequena percentagem, o que fez com que fosse diferente daquilo que era usual nos Alvarinhos».

Este responsável faz uma apreciação excelente da edição de 2020, que tem 20 por cento de barrica. 

À venda estão 30 mil garrafas, que vão chegar a 40 mercados.

A apresentação do vinho decorreu na primeira vinha contínua de Alvarinho, que foi plantada em 1974 por João António Cerdeira, com a ajuda do seu pai, António Esteves Ferreira, local onde foi feita a apresentação do mais recente Vinhas Velhas. A marca Soalheiro surgiu em 1982, sendo a primeira de Melgaço e a quarta na sub-região.




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