Espaço do Diário do Minho

Votar é defender a democracia

14 Set 2021
J. M. Gonçalves de Oliveira

A pouco mais de uma semana das Eleições Autárquicas, importa refletir sobre a sua importância. Ao votar para escolher quem vai governar a nossa freguesia e o nosso concelho, é importante atender à qualidade dos candidatos, à probabilidade de execução dos programas apresentados e, principalmente, o que pretendemos para a localidade onde vivemos.

Quanto aos proponentes a um qualquer cargo autárquico devem ter dedicação à sua terra e apreço pelos seus concidadãos. Do mesmo modo, deve ser-lhes reconhecida idoneidade, competência, proximidade e transparência.

As próximas eleições, para além de serem a base da pirâmide do nosso regime democrático, assumem no presente uma importância redobrada tendo em conta o reforço de competências que a legislação veio conferir às autarquias e o tempo em que vivemos. A descentralização de capacidades, recentemente implementada, veio trazer maiores responsabilidades e novas exigências aos timoneiros que vierem a ser eleitos no dia 26 de setembro e, em simultâneo, o tempo presente está cheio de perigos e ameaças.

As novas obrigações dos municípios a níveis tão distintos como a saúde, a educação e o desenvolvimento social acarretam mais responsabilidades e impõem maior capacidade de desempenho. Nesta conformidade, é ainda mais importante votar, fazê-lo em consciência e após rigorosa avaliação.

Em paralelo, a defesa da democracia requere o empenho de cada cidadão. Ninguém duvidará que com os incríveis atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos da América, o mundo livre sofreu um profundo abalo.

As respostas a tão hediondos crimes obrigaram as chamadas democracias liberais a tomar medidas de segurança nunca antes pensadas. O reforço da vigilância e o combate ao terrorismo implicou diminuição dos direitos individuais e a eclosão de movimentos nacionalistas, xenófobos e racistas.

Vinte anos de esforço inglório das tropas americanas e dos aliados da Nato no Afeganistão não foram suficientes para evitar que o movimento talibã recuperasse o poder e começasse a espalhar o terror no seu povo.

Em pleno século XXI, custa a acreditar que um povo de muitos milhões de almas se deixe subjugar por um grupo de algumas dezenas de milhares de fanáticos sem escrúpulos!

No entanto, pelo que já é conhecido, não será de estranhar que aquele país asiático volte a ser um alfobre de terroristas prontos a infernizar a vida dos povos livres e as suas democracias.

Neste cenário de inquietude e de incerteza, há que defender e reforçar a democracia e urge dar um combate sem tréguas aos seus detratores.

É precisamente neste contexto que saúdo efusivamente o movimento nascido em Braga, mas com ambição de ser nacional, “Manifesto Contra a Indiferença”, que visa combater a abstenção e o crescente divórcio entre eleitos e eleitores, como na altura do seu lançamento foi referido por Paulo Sousa, um dos seus dinamizadores.

Pouco tempo depois do seu anúncio, teve a adesão imediata dos principais partidos e de várias personalidades de diferentes origens e profissões, o que demostra inequivocamente a sua grande oportunidade.

Contando com várias iniciativas que visam combater o flagelo da abstenção e a consequente diminuição da qualidade da democracia, acredito que fará o seu caminho com sucesso.

Bem sei que tudo o que se faça apenas em véspera de eleições não é suficiente para combater um mal que se vai agudizando de eleição para eleição. Contudo, creio que na sua génese estará um projeto de longo prazo envolvendo partidos políticos, associações de estudantes e toda a sociedade civil que possa vir a dar nova robustez ao nosso regime democrático

Votar é defender a democracia e se sempre houve boas razões para o fazer, agora, mais do que nunca, esse direito e dever não deve ser postergado.



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