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Principais causas dos incêndios este ano são uso negligente e fogo posto

Dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Redação/Lusa
15 Set 2021

A maior parte dos incêndios rurais registados este ano tiveram como causas o uso negligente do fogo, como queimas ou queimadas, e fogo posto, indicou hoje o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O quinto relatório provisório sobre incêndios rurais publicado este ano pelo ICNF, referente ao período entre 1 de janeiro e 31 de agosto, precisa que, até à data, as causas mais frequentes em 2021 são uso negligente do fogo (51%) e o incendiarismo – imputáveis (21%).

Segundo o relatório, no caso do uso negligente do fogo são as queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (22%), queimas de amontoados de sobrantes florestais ou agrícolas (11%) e queimadas para gestão de pasto para gado (15%) os motivos mais relevantes.

O ICNF dá igualmente conta que os reacendimentos representam 5% do total de causas apuradas, num valor inferior face à média dos 10 anos anteriores, que é de 16%.

O documento ressalva que, até à data, foi permitido atribuir uma causa a 69% dos incêndios investigados este ano.

O último relatório do ICNF refere que se registaram, entre 01 de janeiro e 31 de agosto de 2021, um total de 6.672 incêndios rurais que resultaram em 25.961 hectares de área ardida.

“Comparando os valores do ano de 2021 com o histórico dos 10 anos anteriores, assinala-se que se registaram menos 47% de incêndios rurais e menos 68% de área ardida relativamente à média anual do período”, lê-se no documento, salientando que 2021 apresenta, até 31 de agosto, “o valor mais reduzido em número de incêndios e o segundo valor mais reduzido de área ardida, desde 2011”.

De acordo com o relatório, deflagraram até 31 de agosto 30 “grandes incêndios”, com uma área ardida total igual ou superior a 100 hectares, que resultaram em 14.660 hectares de área ardida, cerca de 56% do total.

O fogo que começou em 16 de agosto no concelho de Castro Marim, distrito de Faro, foi o que consumiu mais área ardida, num total de 6.679 hectares.

O ICNF indica também que os distritos com maior número de incêndios este ano são Porto (1.106), Braga (612) e Lisboa (551), enquanto o distrito mais afetado em área ardida é Faro, com 9.186 hectares, cerca de 35% da área total ardida até à data, seguido de Vila Real com 3.785 hectares (15% do total) e de Braga com 2.069 hectares (8% do total).

Numa lista liderada por Santa Maria da Feira, Montalegre e Paredes, os concelhos que apresentam maior número de incêndios localizam-se quase todos a norte do Tejo, e caracterizam-se por elevada densidade populacional, presença de grandes aglomerados urbanos ou utilização tradicional do fogo na gestão agroflorestal, representando estes vinte concelhos 27% do número total de ocorrências e 17% da área total ardida.

O mesmo documento frisa que a área ardida nos 20 concelhos mais afetados representa 66% da área total, sobressaindo o concelho de Montalegre, associado ao maior número de ocorrências em 2021, destacando-se também os concelhos de Tavira, Vila Real de Santo António e Castro Marim, relacionados com a maior ocorrência de 2021.

O ICNF realça ainda que agosto foi o mês com maior número de incêndios rurais, com um total de 1.714 incêndios, o que corresponde a 26% do número total registado este ano, sendo também em agosto o que apresenta, até à data, maior área ardida no corrente ano, com 10.235 hectares, o que representa 39% do total.





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