Espaço do Diário do Minho

Venham a Europa e as vitórias

16 Set 2021
António Costa

O SC Braga deslocou-se a Paços de Ferreira e teve um grande apoio dos adeptos, tanto que até parecia que jogava em casa. O próprio treinador bracarense reconheceu isso mesmo no final do jogo. Mas a postura da bancada dos adeptos braguistas não teve a devida correspondência no relvado, pelo que o nulo final acaba por ter um sabor de frustração, especialmente pelo que a equipa não fez, em prol da busca do triunfo.

É que as pré-anunciadas igualdades, em relação ao opositor, dos níveis de intensidade, agressividade, reação à perda e capacidade de começar a defender alto, fazendo uma pressão que esta equipa já fez muito bem, passaram ao lado do jogo, o que impediu que a tal diferença de qualidade existente entre as equipas fizesse mesmo a diferença no resultado, pelo que numa análise global se dirá que os castores se entregaram mais ao jogo, em busca de serem felizes.

Acresce ao referido anteriormente que a eficácia por vezes pode melhorar com um jogo mais coletivo, em detrimento do individual, nos momentos em que tal se torna elemento facilitador da tradução dos lances ofensivos em golo. Algo a rever, portanto.

Achei curiosa a leitura de André Horta na análise ao jogo, que foi apitado por um árbitro francês, mostrando que além de comunicar bem, mostra entender o jogo, parecendo antever-se, ali, um treinador no futuro ainda muito distante.

Os dois nulos consecutivos verificados oficialmente não são em nada dramáticos, mas são motivo de alguma preocupação na Legião do Minho, tal como o fraco pecúlio pontual do momento.

O empate registado em Paços de Ferreira aconteceu num fim de semana em que diversos jogos ficaram igualados, pelo que as consequências não foram graves, o que, mesmo assim, não alivia a sensação de perda observada.

Claro que se lamenta a má decisão no momento de definir os lances a nível atacante, porque ele impediu que o golo aparecesse, porque há jogos em que a eficácia deve ditar leis e este estava certamente inserido nesse lote.

Sem tempo a perder, segue-se hoje a estreia na fase de grupos da Liga Europa, com uma longínqua deslocação a Belgrado para defrontar o Estrela Vermelha, onde a equipa deve estar preparada para o ambiente hostil que vai encontrar. É importante que a Europa chegue bem e as vitórias apareçam, se possível lá fora e cá dentro.

Antes do próximo artigo há um jogo muito importante frente ao Tondela, na Pedreira, onde se espera que o conjunto de Carvalhal saiba encontrar a retoma interna da felicidade de vencer, para que o caminho dos triunfos seja trilhado, de modo regular, pelos Gverreiros do Minho.

O ciclo de jogos que agora se inicia dá origem a uma fase de calendário apertado que exige que a confiança nos vários jogadores do plantel passe à prática, de modo que a rotatividade da equipa seja real e permita uma boa resposta aos desafios que se seguem. Como na época passada a resposta a uma fase de competição análoga foi positiva, as expectativas de que isso se repita, ou mesmo consiga melhorar, dominam os pensamentos braguistas, ávidos de momentos de alegria, que este plantel tem capacidade sobejante para proporcionar.

Que suba o pano, se acendam as luzes e os (nossos) artistas entrem em palco, mostrando à Europa que em Braga nada tem acontecido ao acaso.



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