Espaço do Diário do Minho

O ambiente, a mobilidade e as comunicações

24 Set 2021
Bernardo Reis

O planeta Terra atravessa um período algo complexo, considerando diversas situações hodiernas à vivência do ser humano, resultando daí fortes impactos climáticos, como consequência de uma industrialização progressiva e agressiva, com todas as consequências para a biodiversidade e para o ser humano num futuro próximo, se não forem tomadas medidas imediatas para atenuar a degradação da mãe natureza.

Será necessário planear medidas concretas e exequíveis, para atenuar os efeitos de estufa provocados pela industrialização descontrolada, quanto a poluentes de origem diversa, que contaminam a atmosfera, aumentam a temperatura e afetam a vida do ser humano e animal.

Há que preservar o futuro das gerações vindouras, não destruindo as florestas, como está a acontecer criminosamente no Amazonas e noutros locais do planeta, para melhorar as condições de vida da humanidade e evitando o aquecimento global catastrófico de 2,7ºC, para limitar os efeitos destrutivos da alteração do clima, que irá conduzir ao crescimento da mortalidade e dos meios de subsistência, gerando ainda mais pobreza e desigualdade, caminhando para a destruição e desertificação.

São inúmeras e variadas as medidas a tomar, desde que haja estratégia, discernimento e vontade governativa nacional e internacional, caminhando de igual modo sem ideologias, mas dentro de um espírito democrático, tendo em vista repensar o futuro, com execução de projetos pragmáticos e eficientes, ou dando continuidade aos que foram abandonados por falta de investimento público.

É fundamental a reformulação e a mobilidade através de meios e equipamentos não poluentes, que projetem a vida humana e a natureza para evitar a poluição com gases tóxicos, evitando a destruição dos vegetais, árvores ou não, assim como acabar com a extinção de espécies animais fundamentais para o equilíbrio da biodiversidade.

Infelizmente as políticas seguidas não são as mais adequadas, pois os discursos são aliciantes e ocasionais, não perspetivando a execução e continuidade de medidas com futuro e inseridas com objetividade e planeamento adequado ao ambiente, para tornar as regiões mais sustentáveis.

Como casos concretos poderemos citar alguns, que deviam ser analisados e implementados, aproveitando os fundos comunitários e olhando para a transversalidade global de Portugal, fazendo investimentos públicos inadiáveis.

As comunicações ferroviárias, em vez de serem conservadas e eletrificadas, têm sido abandonadas e as principais pararam no tempo, e se tal não tivesse acontecido o país teria hoje uma rede ferroviária apreciável não poluente, dando maior mobilidade populacional, sem recurso a viaturas movidas por combustíveis fósseis.

Dentro desta política, a manutenção das ligações ferroviárias e desenvolvendo o metro entre cidades próximas e mais populosas, reduziriam substancialmente a circulação automóvel, assim como seria de criar ligações transfronteiriças de alta velocidade, para fins de utentes e industriais, dando como exemplo o norte do país e a Galiza.

Há muito que as cidades mais populosas e perifericamente com industrialização, deviam ter planeado e programado projetos para melhorar a circulação citadina, dando mais valor aos centros históricos e ocupando-os, considerando um maior desenvolvimento comercial e saudável, com limitação de circulação automóvel, promovendo-se a mobilidade por meios de transporte cicláveis, cujo um dos objetivos seria conseguido com a criação de parques periféricos para acolher as viaturas e os cidadãos prosseguiriam o seu caminho profissional em autocarros elétricos gratuitos ou com passes de baixo valor.

Portugal apostou indevidamente nas autoestradas, algumas quase paralelas e outras praticamente sem movimento, que em vez de contribuírem para desenvolver o interior, serviram para o desertificar.

Além das autoestradas foram construídos estádios de futebol e não se preservaram outros, com custos insustentáveis (Braga, Aveiro, Leiria e Algarve), assim como foram feitos outros investimentos públicos, quando em primeiro lugar se devia ter pensado na criação e apoio às pequenas e médias empresas, para criar riqueza, evitar a destruição da classe média e criar condições para menor pobreza e desigualdade.

É altura de descentralizar, concretamente e não por palavras, dando autonomia às Comissões de Coordenação Regionais e às autarquias, com transferência de fundos financeiros bem orçamentados, pois é fundamental definir estratégias para repensar e modificar Portugal, pois foi grande no passado secular e tem capacidade de recursos humanos nas diversas áreas para se tornar mais sustentável e ter um desenvolvimento equilibrado e motivador.



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