Espaço do Diário do Minho

As eleições autárquicas de Braga e algumas das suas consequências

29 Set 2021
Joaquim Barbosa

Agora que vai caindo o pano sobre as eleições autárquicas em Braga já se poderá retirar algumas ilações sobre a escolha dos bracarenses e as suas consequências para o futuro politico da nossa urbe.

Ricardo Rio e a coligação Juntos por Braga foram, globalmente, os grande vencedores da grande contenda, reflexo da vontade indiscutível dos bracarenses sobre quem pretendem que administre o nosso concelho nos próximos 4 anos.

O até agora ausente da política de Braga Hugo Pires conseguiu sobreviver politicamente no sentido de poder renovar a sua candidatura nas próximas eleições, na esperança de conseguir o mesmo trajeto que Ricardo Rio embora o tenha feito com menos dedicação e menos determinação.

Aliás é até interessante fazer um paralelo entras as duas figuras políticas enquanto vereadores da oposição.

Enquanto Ricardo, naquele tempo, nunca deixou Braga, recusando muitas vezes apetecíveis oportunidades profissionais, algumas delas oferecidas como isco para abandonar ou enfraquecer a sua luta política contra o mesquitismo, Hugo Pires, após ter sido derrotado, abandonou o lugar de vereador deixando aos outros o trabalho político que lhe competiria e preferiu o lugar confortável de deputado.

Assim, Hugo Pires conta com duas dificuldades acrescidas: a primeira é que sendo vereador de fim de semana, já que à semana está envolvido na sua atividade parlamentar e também nas fortes responsabilidade que tem no PS nacional, não terá o forte envolvimento na cidade que Ricardo Rio teve na oposição. Só o terá se deixar Lisboa para ficar em Braga; se não o disse durante a campanha eleitoral, também não o fará agora. A segunda dificuldade é que Hugo Pires – como bem sabe – tem pela frente um opositor que lhe quererá disputar a oposição ao atual poder municipal.

Esse opositor é Ricardo Silva que continuará em Braga todos os dias da semana e que tem como suporte a poderosa Junta de S Vitor cuja perda, a par com a junta de Nogueira, Fraião e Lamaçães, constituíram o maior forte abanão na coligação Juntos por Braga.

Ricardo Silva, que foi um bom presidente da junta, provou que também é um político meticuloso, com equipa, que corre a longa distância, com uma forte ambição e demonstrou que a gratidão, compromisso e confiança não são valores com que se identifique politicamente.

Facto significativo foi o tipo de candidatura protagonizada por Ricardo Silva a qual, longe de ser uma candidatura independente, foi antes uma candidatura individual. De facto, Ricardo Silva 21, até a denominação da sua candidatura expressa, não representa um movimento, um grupo, um aglutinador de ideias mas antes a candidatura assente numa pessoa.

Hugo Pires, se cai na tentação de se aproximar do atual presidente da junta de freguesia de S. Vítor, ficará politicamente seu refém, já que ninguém imagina que este terá o mesmo comportamento que Firmino Marques teve com Ricardo Rio ao longo dos anos.

Quanto ao projeto para Braga iniciado por Ricardo Rio e que, com ele, durará mais 4 anos, exigirá, para ser continuado, de uma melhor gestão política por parte do executivo municipal que passa, sobretudo, pela melhoria da qualidade dos serviços municipais prestados diariamente à população e, além do bom desenlace dos grandes projetos em curso e outros anunciados, por uma atenção redobrada no melhoramento substancial do dia a dia dos bracarenses.

Melhorias essas focadas na mobilidade, habitação, limpeza urbana, jardins, melhoramento das entradas e saídas da cidade e de uma maior política de comunicação com questões que tocam muito aos bracarenses como o rio Este, a política adequada de poda, de corte e plantação de árvores, entre outras.

Os bracarenses nunca valorizarão os grandes projetos para a cidade se não forem acompanhados, ou mesmo adiantados, por melhoria das suas condições de qualidade de vida, do ponto de vista diário, no concelho.

Por outro lado, a continuação do projeto de Ricardo Rio deverá ter um rosto a construir em Braga, bem visível pela sociedade mas terá de ser preparado adequadamente, sem polémicas, alguém consensual, reconhecido por todos, com fortes caraterísticas de liderança e experiência política, para não deixar a Hugo Pires o rosto mais forte nas gestão municipal após o atual Presidente da Câmara e, principalmente, para não deixar ocorrer o desastre de uma candidatura não preparada, de última hora, que terá os resultados semelhantes que teve a coligação Juntos por Braga em S. Vitor.



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