Vídeo: Turismo de Galicia. Fotos Miguel Viegas.

Comemorações são oportunidade para reforçar cooperação e estimular a economia dos dois lados da fronteira.

Luísa Teresa Ribeiro
4 Out 2021

A Galiza espera que os habitantes do Norte de Portugal percorram os Caminhos de Santiago e visitem Santiago de Compostela durante o Ano Santo Jacobeu 21-22. Este biénio é também uma oportunidade para reforçar os laços que já unem os povos dos dois lados da fronteira, potenciando o turismo e o desenvolvimento económico.

O convite aos nortenhos para que “caminhem” até à Galiza foi deixado numa sessão de apresentação do Jacobeu 21-22, que decorreu nas Caves Cálem, em Vila Nova de Gaia, depois da colocação de um marco do Caminho de Santiago junto à Sé Catedral do Porto. 

© CCDR-N

Esta foi a primeira iniciativa de promoção no exterior de Espanha depois da pandemia, assinalando assim a importância que os responsáveis galegos dão à região Norte.

O Ano Santo Jacobeu acontece quando a festividade do Apóstolo Santiago, que se celebra no dia 25 de julho, acontece a um domingo. Devido à pandemia de Covid-19, o Papa Francisco autorizou que as comemorações deste ano se prolonguem a título excecional por 2022.

O vice-presidente do governo autónomo da Galiza, Alfonso Rueda, explicou que o Ano Santo Jacobeu é uma «grande oportunidade» para a Galiza e também para Portugal, uma vez que os Caminhos de Santiago são um fator de desenvolvimento dos locais por onde passam.

Os Caminhos de Santiago um tesouro que queremos potenciar. Alfonso Rueda

Este responsável referiu que o ano começou com entusiasmo mas com muitas dificuldades, devido às restrições de circulação impostas por causa da pandemia, sendo que em fevereiro foram registados apenas 16 peregrinos. Em agosto já houve 45 mil, sendo que este valor deve ser mais elevado, uma vez que existe uma estimativa que indica que 30 por cento dos peregrinos não pedem a Compostela (documento que certifica a realização do Caminho de Santiago).

O responsável pela pasta do Turismo sublinhou a importância do Caminho Português, que representa cerca de 25 por cento dos peregrinos que chegam a Santiago de Compostela, verificando-se a tendência de os visitantes começarem o percurso em localidades portuguesas mais distantes e fazerem cada vez mais etapas. 

O dirigente galego aproveitou a ocasião para elogiar a forma como Portugal está a trabalhar os Caminhos de Santiago. 

Apesar de Portugal ser o segundo país com mais peregrinos, depois de Espanha, Alfonso Rueda espera  aumentar o número de visitantes portugueses e que a região Norte sirva de porta de entrada para turistas de outras nacionalidades, designadamente europeus, brasileiros e asiáticos, que podem chegar à Península Ibérica pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Note-se que, em 2019, 55 por cento dos peregrinos não eram espanhóis.

«Quem faz o caminho como peregrino depois acaba por voltar com a família ou com amigos para conhecer de forma mais aprofundada a região e isso significa a dinamização da atividade económica e projeção internacional», afirmou.  

Além de querer atrair mais visitantes, Alfonso Rueda espera que os dois países uniformizem o caminho, nomeadamente ao nível da sinalização e das infraestruturas turísticas, para que os peregrinos não notem diferenças entre Espanha e Portugal. 

O vice-presidente da Xunta de Galicia adiantou que as sete rotas galegas reconhecidas já têm a mesma sinalização e destacou que Portugal está a trabalhar «francamente bem».

O responsável manifestou a vontade de envolver Portugal na programação cultural, que é uma marca do Ano Santo Jacobeu, comprometendo-se a falar com as estruturas governamentais portuguesas e com a iniciativa privada para a concretizsção deste projeto.

 

Caminho da Costa prestes a ser certificado

O Caminho Português da Costa poderá ser certificado até ao final deste ano. A expectativa foi revelada pelo presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, que adiantou que o tempo de pandemia foi aproveitado para estruturar os cinco traçados que atravessam a região.

O processo relativo ao Caminho Português da Costa já se encontra na fase final, tendo sido entregue o respetivo dossiê à Comissão de Certificação.

Luís Pedro Martins referiu que o processo relativo ao Caminho Central está bastante avançado, continuando a decorrer também o trabalho relativo aos caminhos do Interior, Minhoto Ribeiro e de Torres.

«O que estamos a fazer neste momento é organizar os cinco caminhos que atravessam a região, de forma a que quem nos visita, independentemente das razões, sejam espirituais, culturais ou paisagísticas, possa fazer estes percursos com informação, em segurança e deixando um forte contributo às comunidades locais. Nos locais por onde passam os Caminhos tem nascido um conjunto interessante de atividades económicas de pequenas empresas», declarou.

Classificando os Caminhos de Santiago como «um dos principais ativos turísticos da região», este responsável explicou que o trabalho de estruturação que tem sido desenvolvido e a certificação vão permitir avançar para um projeto «ambicioso», que passa pela criação de uma agenda cultural anual, com atividades ao longo de todo o ano e que se prolongue para além do biénio do Ano Jacobeu, a organização de uma grande conferência que junte portugueses, espanhóis e franceses para abordar os Caminhos de Santiago e a realização de ações de promoção internacional.

Luís Pedro Martins disse que este programa está a ser preparado, pelo que ainda não existem verbas definidas, mas o valor deverá ser «significativo» para levar a cabo todas as atividades que estão a ser previstas.

Entretanto, a Euro-Região Galiza – Norte de Portugal está a desenvolver um projeto de cooperação transfronteiriça intitulado “Fazendo Caminho”, em colaboração com o Turismo do Porto e Norte de Portugal, a Direção Regional de Cultura do Norte e a Agência de Turismo da Galicia. Com um valor na ordem dos 700 mil euros, conta com o cofinanciamento do INTERREG VA Espanha – Portugal.

Um dos principais objetivos deste projeto é «proteger e valorizar o património cultural e natural, como base económica da região transfronteiriça», atendendo a que o Caminho de Santiago «apresenta um grande potencial para o desenvolvimento socioeconómico deste território» e que o seu caráter transnacional «obriga à cooperação para a sua ordenação, gestão, proteção, conservação, valorização e promoção». 

A sessão de apresentação contou com participação da diretora do Turismo da Galiza, Nava Castro; da conselheira de Turismo da Embaixada de Espanha em Lisboa, Yolanda Martínez Cano-Cortés; e do presidente do Cluster de Turismo da Galiza, Cesáreo González, entre outras personalidades espanholas e portuguesas.

 

Região Norte vai continuar a investir nos Caminhos de Santiago

No próximo ciclo de fundos comunitários, a região Norte vai continuar a apoiar a estruturação, diferenciação, valorização e promoção dos Caminhos de Santiago.

O anúncio foi feito pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), durante a apresentação do Ano Jacobeu 21-22.

António Cunha, que é simultaneamente presidente da Comunidade de Trabalho Galiza – Norte de Portugal, deixou também uma mensagem de compromisso desta estrutura com a «valorização dos Caminhos de Santiago como uma rede de património e experiências singulares, que liga os nossos territórios e as nossas identidades culturais, posicionando-nos num contexto marcadamente internacional».

Este responsável defendeu que «os Caminhos de Santiago são um atributo valioso para o desenvolvimento turístico de toda a euro-região e para um incremento económico do emprego qualificado».

«A estratégia que devemos seguir não se deve limitar a aumentar os quase 22 milhões de dormidas que alcançámos em 2019, mas sim explorar as sinergias no contexto da euro-região, qualificar as experiências, inovar na oferta, capacitar as empresas e operadores, aumentar a estadia média, o perfil de visitantes e a remuneração dos nossos destinos», afirmou.

O dirigente nortenho revelou ainda que, através do aeroporto do Porto, a região Norte quer ser uma das portas de entrada desta «grande rota cultural e de espiritualidade da Europa, que também liga vários patrimónios da Unesco».

 

Gastronomia 

A gastronomia é uma das múltiplas dimensões do Caminho de Santiago, por isso a apresentação do Ano Jacobeu 21-22  incluiu as criações com a assinatura de Pepe Solla, chefe galego com uma estrela Michelin.

 

O chefe concorda com a importância da gastronomia nos Caminhos de Santiago, desde logo porque a comida é fundamental para retemperar as forças dos caminhantes para continuarem o percurso.

O responsável pela Casa Solla, em Poio, Pontevedra, refere que, sendo galego, a sua inspiração são os produtos locais de qualidade, por isso apresentou uma amostra da gastronomia da Galiza, com destaque para a recriação da tarte de Santiago, servida em formato bombom e coberta de dourado, elevando-a ao esplendor do luxo. 




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