Espaço do Diário do Minho

A defesa do título

14 Out 2021
António Costa

A temporada desportiva em Braga tem estado aquém das expectativas, especialmente das dos seus adeptos, mas isso representa um pensamento transversal a quem acompanha o futebol.

A época anterior culminou com a conquista da Taça de Portugal, em Coimbra, frente ao Benfica. Nessa altura os jogos não tinham adeptos, mas eu tive o privilégio de estar presente, ao fazer o acompanhamento do jogo para a NEXT (canal de televisão online oficial do clube). Coimbra teve mais encanto, com essa vitória de vermelho e branco, mesmo que os adeptos sofressem de longe com o desempenho dos seus jogadores.

Depois do jogo seguiu-se a festa, com a cidade de Braga a ficar bem acordada à espera dos seus (novos) campeões. Nem a chuva que caía incessantemente foi capaz de desmobilizar as pessoas, ávidas de viver aqueles momentos de uma conquista importante. Era a terceira vez que o troféu referente à prova rainha ia parar ao museu arsenalista, mas esta tornava-se especial, por ser ganha em ano de centenário do clube.

O espólio ficava agora mais rico e este plantel entrava diretamente na história do clube, ainda por cima orientado por um braguista de coração. Carlos Carvalhal sentia esta conquista como os restantes adeptos, apesar de a sua aparência não o espelhar.

O próximo encontro oficial representa, precisamente, o início da defesa do título, que tão justamente foi conquistado em Coimbra. Apesar de já se disputar a terceira eliminatória, a aparição inicial dos campeões em título só acontece agora, à semelhança dos restantes clubes primodivisionários.

Quis o sorteio que o adversário fosse o Moitense (cujo nome completo é União Futebol Clube Moitense), que compete no primeiro escalão da AF Setúbal, onde ocupa a sexta posição, com oito pontos conquistados, depois de realizados quatro jogos.

O SC Braga foi o nome que motivou os festejos dos moitenses no sorteio, pois defrontar o detentor do troféu é um prémio que deixará o dia dezassete de outubro de dois mil e vinte e um marcado como um acontecimento maior no histórico clube da Moita, que no primeiro dia de dois mil e vinte e três celebrará o seu centenário de existência.

O jogo vai ser realizado no Estádio Alfredo da Silva, no Barreiro, mas por vontade de muitos dos intervenientes o palco do encontro seria a Pedreira, de modo a tornar ainda mais ímpar esse dia, mas nada retira dessas mentes o orgulho que sentem em defrontar tão valoroso adversário.

Que comece a festa do futebol e a defesa do título se prolongue até à decisão final, pensando num jogo de cada vez.

Uma nota final de relevo para o facto de a Cidade Desportiva estar de parabéns depois de ter vencido, recentemente, por 2×1, o rival Vitória Sport Clube, nos escalões de sub-15, sub-17, sub-19 e sub-23.

Claro que estes resultados só terão relevância se forem sequenciados com outros sucessos, que consolidem o percurso dos atletas, desde o escalão mais baixo até à equipa principal, cuja chegada é um objetivo, em forma de sonho, transversal a todos os que vestem a camisola dos Gverreiros do Minho. Ao nível da formação o trabalho em Braga tem sido desenvolvido com competência e tem culminado com a presença de vários jovens nos trabalhos da equipa principal, onde vários atletas já se estrearam.



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