Espaço do Diário do Minho

Sinodalidade na Igreja

14 Out 2021
Silva Araújo

1. Se o propósito do Papa Francisco for para a frente o Sínodo em preparação provocará uma grande mudança na vida da Igreja. A todos os níveis. Mas isto se for para a frente. E escrevo-o consciente da existência de poderes instalados nada interessados na mudança.

2. A sinodalidade na Igreja põe termo à igreja clerical do eu posso, eu quero, eu mando. E não será fácil. Exige uma séria reflexão e tomada de consciência do que é ser Igreja, de quem é Igreja, do que é o poder na Igreja. Da Igreja constituída pelo Povo de Deus e não por um grupinho de amigos. Do exercício do poder como serviço ao bem comum. Da primazia das pessoas e não das coisas. 

 

3. Transcrevo do Vade mecum: 

«A Comissão Teológica Internacional descreve a sinodalidade da seguinte maneira:

‘Sínodo’ é uma palavra antiga e venerável na Tradição da Igreja, cujo significado se inspira nos temas mais profundos da Revelação […] Indica o caminho que o Povo de Deus percorre. Da mesma forma, refere-se ao Senhor Jesus, que se apresenta como ‘o caminho, a verdade e a vida’ (Jo 14,6), e ao facto de que os cristãos, Seus seguidores, foram originalmente chamados de ‘seguidores do Caminho’ (cf. Atos 9,2; 19,9,23; 22,4; 24,14,22).

Em primeiro lugar, a sinodalidade denota o estilo particular que qualifica a vida e a missão da Igreja, exprimindo a sua natureza de Povo de Deus que caminha junto e se reúne em assembleia, convocado pelo Senhor Jesus na força do Espírito Santo para anunciar o Evangelho.

A sinodalidade deve ser expressa no modo de vida e de trabalho ordinário da Igreja.

Neste sentido, a sinodalidade permite que todo o Povo de Deus caminhe juntos, ouvindo o Espírito Santo e a Palavra de Deus, para participar na missão da Igreja na comunhão que Cristo estabelece entre nós.

Em última análise, este caminho de caminhar juntos é a forma mais eficaz de manifestar e colocar em prática a natureza da Igreja como Povo de Deus peregrino e missionário.

Todo o Povo de Deus compartilha uma dignidade e uma vocação comum através do Batismo. Todos nós somos chamados em virtude do nosso Batismo a ser participantes ativos na vida da Igreja. Nas paróquias, pequenas comunidades cristãs, movimentos leigos, comunidades religiosas e outras formas de comunhão, mulheres e homens, jovens e idosos, todos somos convidados a escutar uns aos outros para ouvir os impulsos do Espírito Santo, que vem para guiar os nossos esforços humanos, dando vida e vitalidade à Igreja e conduzindo-nos a uma comunhão mais profunda para a nossa missão no mundo. No momento em que a Igreja embarca neste caminho sinodal, devemos nos empenhar em nos basear em experiências de escuta e discernimento autênticos no caminho de nos tornarmos a Igreja que Deus nos chama a ser».

4. Sinodalidade. Uma palavra bonita. Mas se o seu conteúdo não for traduzido em gestos concretos… se o caminhar juntos for apenas com um grupinho… se os outros a ouvir forem apenas alguns… se primeiro estiverem as coisas e não as pessoas…

Que do Sínodo, como é desejo do Papa Francisco, nasça uma Igreja diferente. Mas isso (cito-o no discurso do passado dia 09) «requer a transformação de certas visões verticalizadas, distorcidas e parciais sobre a Igreja, o ministério presbiteral, o papel dos leigos, as responsabilidades eclesiais, as funções de governo, etc.»

Que aproveitemos «a oportunidade de nos tornarmos uma Igreja da proximidade. O estilo de Deus é proximidade, compaixão e ternura. Deus sempre agiu assim.

Se não chegarmos a esta Igreja da proximidade com atitudes de compaixão e ternura, não seremos Igreja do Senhor.

E isto não só em palavras, mas com a presença, de tal modo que se estabeleçam maiores laços de amizade com a sociedade e o mundo».



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