Espaço do Diário do Minho

A força da Palavra

21 Out 2021
Silva Araújo

1. Foi apresentado no passado dia 15, na Sala da Duquesa do Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, o livro «A força da Palavra».

É um volume de mais de setecentas páginas que reúne textos publicados por Mons. José Maria Lima de Carvalho em «O Conquistador», entre 22 de março de 1991 e 10 de dezembro de 2020.

Organizado por uma equipa liderada pela Conservadora do Museu de Alberto Sampaio e daquele palácio, Isabel Maria Fernandes, o volume, editado com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães, é constituído por textos de cariz diverso sobre a cidade de Guimarães, o concelho, a região, o mundo, a Igreja local e universal, personalidades e entidades várias, reveladores de um testemunho de humanidade e de Fé em Deus e nos homens, como se escreve na contra-capa.

Termina com uma carta aberta aos sobrinhos e sobrinhas, datada de julho de 2020, da Casa Sacerdotal, onde reside Mons. José Maria. Presta homenagem aos pais e exorta a terceira geração a seguir o caminho indicado pela primeira. «A herança inestimável dos antepassados, escreve, deve ser devidamente apreciada e honrada e muito pode ajudar a ter coragem de serem inconformados e diferentes, como, hoje, se impõe».

No prefácio, o Cardeal José Tolentino de Mendonça associa a data do nascimento de Mons. José Maria, 1936, à da publicação de «Diário de um pároco de aldeia», de Georges Bernanos.

Reconhecendo que a perceção da figura do presbítero se alterou, se pensarmos no que eram os anos 30 do século passado, Bernanos captou alguns aspetos dessa mudança, retratando o padre não pelo lado do poder, mas pelo lado do serviço e valorizando a dimensão da sua humanidade.

2. O primeiro dos textos agora republicados assinala o regresso de «O Conquistador» ao seu proprietário inicial.

Fundado em Guimarães por Monsenhor António de Araújo Costa, D. Prior da Insigne e Real Colegiada, como semanário regional, em 2 de fevereiro de 1950, veio a ser adquirido em hasta pública pelo Diretor do «Notícias de Guimarães», Antonino Dias Pinto de Castro, que, para não perder o direito ao título, o publicava uma vez por ano.

Monsenhor Araújo Costa começou então, em 15 de março de 1962, a publicar o semanário «Colina Sagrada».

Como propriedade da Fábrica da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira, de Guimarães, de que Mons. José Maria Lima de Carvalho foi responsável entre 01 de janeiro de 1986 e 14 de julho de 2019, «O Conquistador» reapareceu em 22 de março de 1991, sob a direção deste sacerdote, sucedendo a «Colina Sagrada».

Antonino Dias Pinto de Castro cedeu, gratuita e incondicionalmente, o direito de propriedade, em 1991.

Guiados pela mão de Mons. Araújo Costa, a quem saudosamente presto homenagem, os seminaristas do concelho de Guimarães tinham nele uma secção, «A Página», a que este livro faz referência na página 41. Se me não engano começou por ser dirigida pelo Eduardo Lobo Pinto de Carvalho. Sucederam-lhe o Hilário Oliveira da Silva, eu mesmo, o Armando Luís de Freitas.

Os primeiros textos assinei-os com as letras iniciais de Silva Araújo: Siara.

3. Saúdo quantos contribuíram para a confeção deste volume.

Dá oportunidade a que os textos que o compõem deixem de andar perdidos entre a coleção do jornal e possam ser compulsados, conhecidos e refletidos com mais facilidade. Um exemplo a seguir por outras instituições. Deixam de ser produto perecível unicamente servido na hora para terem a durabilidade que merecem e manifestarem a sua força, deixando de ser como que palavra amordaçada. 

Há um provérbio latino segundo o qual verba volant, scripta manent, exempla trahunt: as palavras voam, os escritos permanecem, os exemplos arrastam.

Escritos dispersos nas páginas dos jornais como que engrossam o número das palavras que voam. Por isso mesmo é de louvar esta recolha.



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