Espaço do Diário do Minho

A jornada dupla

21 Out 2021
António Costa

A Liga Europa prossegue hoje em Razgrad, na longínqua Bulgária, onde o SC Braga defronta o Ludogorets, fechando assim a primeira volta da fase de grupos. Curiosamente, este adversário é o próximo visitante europeu à Pedreira, concluindo uma jornada dupla que pode ser muito importante, ou mesmo determinante na classificação final.

É que em Braga mora, por agora, a esperança de ver a equipa terminar esta fase da competição em primeiro lugar, e o desaire da primeira jornada, registado na Sérvia, deixou a margem de erro muito curta para a consecução desse desiderato.

A anteceder a deslocação europeia, houve a primeira aparição na Taça de Portugal do campeão SC Braga, que defrontou o Moitense, num emprestado Estádio Alfredo da Silva (Barreiro), que se engalanou com a presença de um anormal número de adeptos da “casa”, trajados a rigor. O ilustre visitante justificava a magnificência e nem o resultado final de 0-5 impediu a festa das gentes da Moita, que guardarão, por certo, este dia num sítio especial das suas memórias.

O jogo da Taça mostrou o que de melhor tem saído da Cidade Desportiva, uma vez que foram utilizados sete jogadores provenientes da formação, de onde saíram quatro dos cinco golos marcados. O menino Roger fez história ao tornar-se no mais jovem de sempre a marcar pelo SC Braga, após fazer o terceiro golo da equipa com apenas quinze anos, o que o fez agradecer ao treinador, que lhe deu a oportunidade de brilhar, e aos céus, onde agora brilha uma estrela maior, pois o atleta tinha perdido o seu pai, precisamente na semana anterior ao jogo.

Quem também recordará por muito tempo este jogo é Vitinha, outro jovem lançado no jogo durante a segunda parte, ainda a tempo de marcar por duas vezes e oferecer o golo histórico atrás mencionado.

As taças, da Liga e de Portugal, assumem relevância na época desportiva do SC Braga, pois a sua conquista deve estar sempre no horizonte, uma vez que são os títulos que sustentam o crescimento do clube, observável a diversos níveis.

Em Braga ninguém se conforma ou acomoda à espera que as coisas aconteçam, pois “o conformismo é carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento”, como referiu no passado John Kennedy, pensamento que se pode e deve aplicar no universo arsenalista.

A união de um grupo é um fator determinante para a existência de um coletivo forte, capaz de lutar de modo colaborativo, partilhado e tenaz de modo a procurar o sucesso e as vitórias que alimentam as almas braguistas.

A liga portuguesa prosseguirá em Barcelos, estando na mente de todos a necessidade de melhorar o desempenho global, pois é impensável que uma equipa deste calibre não tenha ainda conseguido duas vitórias consecutivas e, na sequência disto, apresente um número de pontos baixo, cuja média urge corrigir e elevar para níveis condizentes.

Sem restrições de público, apesar de ainda estar em vigor a imbecil ideia do Cartão do Adepto, que ocupa um conjunto vazio de um setor do estádio, e tratando-se de uma curta deslocação, estavam reunidas as condições para uma presença massiva de braguistas no apoio à equipa, mas com o jogo a começar às dezanove horas de uma segunda feira, o horário torna-se num claro obstáculo, que não deve inibir a equipa de procurar ser feliz.



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