Espaço do Diário do Minho

Ponto por ponto

24 Out 2021
Armindo Oliveira

Um país sempre com complicações (dramatizações) nos momentos que era necessário muita calma, ponderação e maturidade política. Discernimento e capacidade de resolução. Sensatez e visão. Complicações, já não bastavam aquelas que se prendem com as engenharias parlamentares para se conseguir apanhar o poder e os poderes ou fazer outros arranjinhos, temos agora que aturar as constantes chantagens, amuos ou jogos de miúdos no que toca às aprovações do Orçamento do Estado. Passam nas televisões ou nas páginas dos jornais cenas que enchem de ridículo qualquer leilão que se leve à praça como coisa séria. A irresponsabilidade é muita e o bem comum pouco ou nada conta. O que importa são os pretensos ganhos “políticos” imediatos sem se olhar para as necessidades prementes e inadiáveis deste povo em constante deriva. Todos os anos, com a gente de esquerda, esta “brincadeira circense”, deprimente e desfocado da realidade, se repete e se engalana na praça pública para espanto de todos aqueles que ainda se incomodam verdadeiramente com este país e com o seu futuro.

Ponto um – Os partidos do frete, deixaram de ser de protesto, (BE e PCP com o seu satélite PEV) estão agora mais abespinhados. É incompreensível as suas exigências neste quadro recessivo, de dificuldades e de muita incerteza. Até agora, com avidez de protagonismo, estes partidos engoliram sapos, desaforos, mentiras, mas receberam como compensação uns tempos extras de antena, uns lugarzinhos em instituições públicas e umas palavras de engana meninos. Com estas benesses e com uns elogios despropositados davam-se por felizes. Sabiam, no entanto, que estavam a ser enganados, mas faziam de conta que contavam para este número de circo governativo. Até já se achavam partidos do arco da governação e iludiram-se que tinham voz na matéria. Quando deram por ela, ao fim de seis anos, repararam que fizeram o papel de bobos e deles fizeram “gato sapato”.

Ponto dois – Já se sabe onde esta novela irá desaguar. O dr. Costa está morto para zarpar. É um político cansado e claramente esgotado. Como não tinha nada para dar, nada deu a não ser muita fantasia e bluff. Tem agora consciência, ao menos, da sua incapacidade para estar à frente de um país com dificuldades acrescidas. É sabido que repartir é bem mais fácil do que criar riqueza. Vozear é mais sonoro que ter ideias. Manipular tem outro encanto que ser criativo. Manter tudo na mesma é mais popularucho que reformar.

De repente, o dr. Costa perdeu aquele élan que o caracterizava e o acompanhava. O sorriso triunfalista cedeu a um comportamento irritadiço. Não o esconde. Aliás, não o consegue esconder. A sua postura tornou-se tensa e ambígua. As palavras mordiscadas que articula ainda saem mais esburacadas. Está em fim de linha. Continuar na governação será um calvário para ele e um desastre para o país.

Ponto três – Que resultados apresenta nestes seis anos à frente do governo? A sua prestação resume-se a duas linhas concorrentes: “habilidade” na submissão da comunicação social e da extrema esquerda à sua estratégia e empobrecimento do país. A sua obra política “notável” foi engendrar uma “solução” para retirar o poder a quem o ganhou nas urnas. Assim, salvou, prematuramente, a sua pele política da insignificância e do esquecimento. Os custos desta “habilidade” irão ser pesados, por certo, para o país dentro de pouco tempo, quando as contas se fizerem.

Ponto quatro – Os resultados económicos e financeiros do dr. Costa batem certo com aqueles que foram apresentados pelos governos socialistas que o antecederam. Assim, António Guterres, quando se pôs ao fresco, em seis anos, deixou o país no pântano e as finanças de tanga; José Sócrates, também em seis anos, levou o país à bancarrota e à entrada da Troika. Esta vinda representou uma humilhação para uma esquerda socialista que não sabe mesmo governar.

As cenas dos próximos episódios já estão em estúdio e prometem algumas surpresas.



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