Espaço do Diário do Minho

O deus sol e a medicina

27 Out 2021
Ana Isabel Fernandes Pereira

  • O que é vitamina D, como a produzimos

A vitamina D é uma vitamina responsável pela absorção de cálcio, magnésio e fosfato, sendo fundamental para a regulação do metabolismo do osso e de muitas outras funções, como o funcionamento do sistema imunitário, respiratório e muscular.

Podemos obter vitamina D por duas formas: pela exposição da pele ao sol, que converte pró-vitamina D em pré-vitamina D, que, posteriormente, é metabolizada no fígado e rim até se obter a sua forma ativa; e pela ingestão de alimentos ricos em vitamina D.

  • Alimentos ricos em vitamina D

A exposição solar adequada e a alimentação equilibrada são suficientes para garantir os níveis necessários de vitamina D. Os peixes gordos, como o salmão, o atum e a sardinha, os cogumelos-shitake, a gema do ovo e o tradicional óleo de fígado de bacalhau, são alimentos ricos em vitamina D. O sumo de laranja, os cereais de pequeno-almoço e os laticínios (queijo, manteiga e iogurtes), constituem outros alimentos enriquecidos com esta vitamina.

  • O que fazer para ter níveis adequados de vitamina D

Segundo a DGS, a exposição das mãos e da face ao sol, de forma segura, entre 20 a 30 minutos, 2 a 3 vezes por semana, poderá fornecer níveis adequados de vitamina D, particularmente em populações vulneráveis como as crianças e os idosos. Assim, de forma a assegurar níveis adequados de vitamina D, dever-se-á promover a prática de atividades ao ar livre, de preferência nas horas de menor radiação.

Estudos revelam que o protetor solar não diminui de forma significativa a produção desta vitamina pela pele, pelo que se pode usar sem restrições, mesmo no inverno.

  • Quem deve fazer suplementação com vitamina D

Quando se coloca a questão de quem deve fazer a suplementação com vitamina D, a DGS recomenda-a a todas as crianças no primeiro ano de vida.

Em países soalheiros, como Portugal, a toma destes suplementos por pessoas de outras idades é, na maioria dos casos, desnecessária, estando apenas reservada para pessoas que tenham problemas de absorção intestinal ou de insuficiência hepática ou renal, e pessoas com dietas vegetarianas que excluam os produtos lácteos ou pessoas com estilos de vida que comprometam a síntese cutânea desta vitamina.

Não existem estudos que provem que os suplementos de vitamina D previnem doenças crónicas, e a toma de suplementos sem necessidade pode originar efeitos adversos.

  • Não está preconizado rastreio de vitamina D. Porquê?

Atualmente, não existe nenhum rastreio para o défice de vitamina D e, à luz da evidência científica, a sua determinação não deve ser feita de forma oportunística, ou seja, acrescentada a um pedido de análises que se vá realizar por outro motivo. Tal deve-se ao facto de existirem diversos métodos laboratoriais para a determinação de vitamina D. Não existe consenso mundial quanto aos valores de referência a considerar, uma vez que se acredita que esses valores ditos normais, variam entre as diferentes populações.

  • Uma palavra para a pandemia e menor exposição solar

Neste período pandémico, foi evidenciado que, com o confinamento obrigatório, nos tornamos mais sedentários e restritos às nossas casas, com consequente menor exposição solar. Como deveremos atuar? Um conselho: participe em atividades ao ar livre, leia o seu jornal a apanhar o bom sol do fim da tarde.



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