Espaço do Diário do Minho

Tertúlia ao Ataque

5 Nov 2021
Carlos Mangas

Em janeiro deste ano fui convidado pelo Rémulo Jonatas – responsável da Quarentena da Bola – a integrar o elenco da Tertúlia ao Ataque, como adepto do SCB. Acedi, salvaguardando, no entanto, que o que eu dissesse seria apenas e só passível de ser visto como uma opinião pessoal, defendendo o clube sem ter (nem ler) cartilhas.

E refiro este aspeto porque o Ricardo Monteiro da Silva, adepto boavisteiro e “incendiário mor” da Tertúlia, algumas vezes (para picar) me acusou disso. Ao referido adepto, elogio-lhe a excelência da memória seletiva pois, a cada passo, relembrava-nos que o seu clube foi campeão em 2001 – no tempo do Major, retorquia eu.

Se ao SCB e BFC, juntarmos Leixões, VSC e VFC, eis a totalidade dos clubes representados na Tertúlia. Recentemente, a Académica esteve representada pelo Paulo Clemente que fazia questão de lembrar, ter o seu clube vencido a 1.ª Taça de Portugal. Foi um prazer enorme interagir, civilizadamente, com adeptos de diferentes clubes com quem não podemos confraternizar nos estádios, onde é imposta uma espécie de separação “racial”.

Não querendo parecer já saudosista, lembro amiúde a explicação do adepto do Vitória de Setúbal, Pedro Contreras, para o facto do VSC ser visto como um filho do clube do Sado. Obviamente, o adepto vitoriano (e vimaranense), João Trugano Meireles, não aceitava de ânimo leve essa “verdade”, o que não estranhei, pois também lhe custava acreditar que nas duas últimas décadas o seu clube só ficou à frente do SCB, três épocas, conforme dados apresentados pelo moderador de excelência, José Carlos Ferreira.

Ao adepto do Leixões, João Paulo, lembrei que só lhes perdoamos terem-nos arredado de uma final da Taça da Portugal porque o treinador leixonense, à época, Carlos Carvalhal, bracarense de berço, pagou com juros essa desfeita, tendo-nos levado no dia 23 de maio, à conquista da 3.ª Taça de Portugal, em Coimbra.

Foram inúmeros os temas elencados ao longo destes 10 meses, sobressaindo a questão dos direitos televisivos e o famigerado cartão do adepto. As inúmeras e saudáveis picardias quando o assunto era a defesa dos nossos clubes, transformavam-se em concordância unânime sobre a impossibilidade – nos moldes previstos – da centralização dos direitos televisivos e sobre a inutilidade do cartão do adepto.

Incluindo aqui os diferentes adeptos que eram presença assídua no programa, intervindo também em defesa dos seus clubes e em apoio a cada um dos tertulianos, deixo um enorme agradecimento por me levarem a acreditar que se quisermos, o futebol – apesar das diferentes cores das camisolas – nos pode transportar a um outro nível civilizacional, se soubermos temperar a emotividade a que o jogo nos transporta, com uma certa dose de racionalidade, quanto baste – como o sal na comida.

Se assim for, parafraseando Rui Veloso, perceberemos todos que… muito mais é o que nos une, do que aquilo que nos separa.

Rémulo, obrigado pela oportunidade, colegas de tertúlia, recebam um abraço, desde a …BIMILENAR, Bracara Augusta.



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