Espaço do Diário do Minho

Quanto se interessam pelos portugueses os líderes políticos?

16 Nov 2021
Luís Martins

Tenho cada vez mais a convicção de que falta pedal à oposição para defrontar o Partido Socialista. Uma das razões, mas ainda assim não a única, é a azáfama em que vivem neste momento de crise política, aliás, aproveitada por alguns candidatos para apanharem a sua oportunidade. A verdade é que quase nunca a oportunidade de uns poucos coincide com a oportunidade da maioria. E não se tem falado de oposição ao Governo e ao partido que mais o sustentou, mas de lutas intestinas nos partidos que costumam alternar no poder. Tal tem dado azo a que nos dois maiores partidos da oposição se critique mais para dentro do que para fora, ou seja, a disputa em curso isenta de comentários críticos a actuação de quem tem governado o país. E não é por os líderes actuais serem menos competentes do que os candidatos a sê-lo. É mesmo por que alguns destroem por militância. E com isso, o essencial não tem sido preservado nem respeitado. Os debates internos nesta altura estão a ser o melhor carburante para os adversários atacarem e uma oportunidade perdida para os partidos do centro-direita apresentarem aos eleitores as suas propostas – são estes que vão escolher os deputados que querem que os representem – e para formularem as críticas à gestão do Partido Socialista. A este propósito, Rio fez bem em preferir concentrar-se no essencial – os eleitores – do que alinhar em mais discussões internas, mesmo que fossem pertinentes, para defender o partido e o país.

O Partido Social Democrata sairia certamente fragilizado caso enveredasse pelo interesse de Rangel. É verdade que são os militantes do PSD quem decidem o candidato social democrata a primeiro-ministro, mas estes, naturalmente, saberão apreciar quem está em melhores condições para o ser. E estarão atentos à conjuntura e ao que a mesma transmitir.

As sondagens, que são o barómetro das preferências e intenções dos portugueses, apresentam Rio como o preferido. Os militantes do maior partido da oposição não podem deixar de ter isso em atenção, a não ser que sejam masoquistas. Mas, alguns profissionais da política, desavindos com Rio e receosos de virem a ser colocados de lado no próximo ciclo político, têm incentivado uma parte dos militantes a ir por outro caminho. Pessoalmente, considero que será uma irresponsabilidade. Pode não se ser defectível do actual líder social-democrata, mas apostar em alguém que tem estado a leste do país e mais concentrado nas questões europeias, pode significar um desaire para o maior partido da oposição, o que seria seguramente trágico para a democracia. Por muitos e muitos anos não haveria alternância no sistema político português!

Estou convencido de que, desta vez, os militantes social-democratas, atentos ao interesse dos portugueses em geral, deveriam fechar um dos olhos, como antes alguém tinha sugerido num outro partido, e votar em quem tem maior experiência e no candidato que tem sabido e sido mais coerente. Em momentos de crise, a prioridade deve ter muita força. Rio precisa, entretanto, mesmo antes das directas, que os militantes lhe transmitam apoio. O programa eleitoral para as legislativas que está a preparar precisa dessas energias positivas. Os Portugueses são quem beneficiarão da serenidade que for conseguida no PSD. O próprio Paulo Rangel, num golpe de responsabilidade e coerência, deveria desistir da sua candidatura. Em tempos difíceis, também ele deveria esperar por melhor oportunidade para servir o partido e o país. A agitação interna no maior partido da oposição só serve, no momento actual, para desânimo e desilusão dos eleitores descontentes com a governação socialista.

O mesmo se aplica ao CDS. Nuno Melo deveria esperar por outra oportunidade se quer realmente ajudar o seu partido. Teimar em criticar o que os órgãos da força partidária decidiram democraticamente, não importa se bem ou mal, contribuirá para enterrar ainda mais a instituição que diz querer preservar e engrandecer.



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