Espaço do Diário do Minho

O presépio do Natal

20 Nov 2021
P. Rui Rosas

Há muitas incertezas nos dias que estamos a viver sobre o que nos espera num futuro próximo. Não que pensemos em situações catastróficas, que tragam a desgraça e a calamidade incurável à nossa sociedade, mas porque se abeira a olhos vistos a quadra natalícia e a situação titubeante da pandemia pode conduzir a restrições indesejáveis. E isto numa altura do ano em que a paz e a concórdia, o reencontro clássico dos membros duma família e, enfim, as comemorações do aniversário do nascimento de Jesus são, para todos, uma ocasião de convívio e de intimidade com os nossos parentes mais próximos e, certamente, com o próprio festejado, que sempre lembramos no presépio singelo que fazemos na nossa casa.

Infelizmente, há quem desconheça o sentido verdadeiro do Natal. Dias atrás alguém me contava que, no ano passado, por esta altura do ano, fora convidado para jantar em casa dum recente companheiro de trabalho, simpático e boa pessoa, com quem, rapidamente, estabelecera uma franca relação de amizade. Chegou à sua casa cerca de vinte minutos antes da hora da refeição e levava, como é habitual, uma lembrança gastronómica indispensável, depositando-a nas mãos da cara metade do seu amigo, que este lhe apresentara nesse mesmo momento.

Ficou surpreendido com os arranjos natalícios da casa, Por todos os cantos, ornamentações com bolas brilhantes e outros apetrechos típicos desta quadra. Desde a entrada até à sala onde se sentaram para conversar e tomar um aperitivo contara três árvores do Natal, das quais pendiam luzes que acendiam e apagavam constantemente, além de muitos “pais” natal, sorridentes e com uma pequena saca aos ombros, provavelmente como símbolo das prendas e outras lembranças.

Quando foram jantar, o aparato era semelhante. A própria mesa onde se sentaram se encontrava cheia de bugigangas de bom gosto com pequeninos “pais” natal que dormitavam sobre o guardanapo de cada um. Mas, atenção, estes eram de chocolate, para fomentar, como observava o amigo, “que comamos uma sobremesa farta e agradável, servindo-nos o “Pai Natal” como seu início”.

A refeição decorreu normalmente, com uma conversa amena sobre assuntos que iam surgindo de forma espontânea. O casal explicou que os seus filhos – eram três, duas raparigas e um rapaz, o mais novo do grupo – tinham ido nessa tarde para casa dos avós maternos, onde passariam dois dias (até vinte e quatro, ao princípio da tarde), regressando à sua casa nessa altura. Assim, à noite, jantariam todos com os avós paternos. Dividia-se “o mal pelas aldeias”, como observava o amigo, satisfazendo o gosto dos avós de se encontrarem com os netos nesta época festiva.

Terminado o jantar, chegou a altura das despedidas, com o meu amigo a agradecer sinceramente a boa acolhida que recebera e elogiando, sem exagerar, a boa qualidade da gastronomia, o que fez a felicidade da dona da casa. Não podia também deixar de elogiar a ornamentação natalícia de toda as salas, que primava pelo bom gosto.“Os nossos filhos ajudaram-nos muito”, observaram os dois. E o meu amigo, com simplicidade, perguntou: “Onde é que puseram o presépio?” Ficaram muito surpreendidos. Não o tinham feito. O filho mais novo explicara-lhes que na escola todos trabalharam na preparação de um grande presépio e pedira-lhes que se fizesse o mesmo na sua casa. Mas não se fez. “ Mas porque é que se faz o presépio no Natal?”, perguntou o dono da casa com sinceridade. O meu amigo explicou-lhe, surpreendido, que o Natal era a comemoração do nascimento de Jesus Cristo, numa gruta, em Belém.

Não foi preciso mais. “Vamos comprar um presépio e, assim quando o Pedro (o rapaz do casal) chegar, ficará todo contente por encontrar aqui o que ele ajudou a fazer na sua escola…”



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