Espaço do Diário do Minho

Advento e Natal

1 Dez 2021
Silva Araújo

1. O Advento, que estamos a celebrar, assinala o início de um novo ano litúrgico.

É um tempo de preparação para o Natal. Um tempo de verdadeira espera, de alegria e de preparação para receber Jesus. Consta de quatro semanas. Principia com as I Vésperas do domingo que ocorre entre 27 de novembro e 03 de dezembro e termina com as I Vésperas do Natal do Senhor.

2. Na Liturgia, com o Advento a Assembleia Cristã é convidada a celebrar o nascimento carnal do Filho de Deus em Belém, no tempo de César Augusto. (É o passado, a vinda histórica).

É convidada, também, a tomar consciência da presença de Cristo no meio de nós, sobretudo através dos sacramentos (particularmente da Eucaristia); da Sua Palavra; da assembleia cristã; do testemunho dos batizados; da Sua intervenção, mediante a Igreja, na história dos homens e do mundo. (É o presente, a vinda sacramental, carismática ou mística).

O Advento projeta-nos para a vinda gloriosa de Cristo no fim dos tempos. (É o futuro, a dimensão escatológica e parusíaca).

Em síntese: Jesus veio, está, virá.

2. São grandes figuras do Advento:

*Isaías, o grande profeta da esperança messiânica. Mais do que noutros profetas, encontra-se nele o eco da grande esperança que orientou o povo eleito durante os séculos duros e decisivos da sua história.

*João Batista: o Precursor de Jesus, cuja pregação é um apelo à conversão como condição indispensável para a salvação. Será figura central no Evangelho da semana a partir da quinta-feira da segunda semana, até ao dia 16.

*A Virgem Maria, a serva do Senhor, a Senhora do faça-se, que se entregou nas mãos de Deus e esperou alegremente a Sua vinda ao mundo.

A partir do dia 17 o Evangelho recorda a infância de Jesus, narrada por Mateus e por Lucas, onde se põe em relevo a figura de José e de Maria.

3. O Advento tem duas partes, que nos lembram as duas vindas do Senhor. A primeira parte, até 17 de dezembro, alerta para a segunda vinda, a Parusia, em dia que não sabemos. A partir do dia 17 pensamos na primeira vinda, acontecida há mais de dois mil anos.

O tempo intermédio entre estas duas vindas – o que estamos a viver – deve ser dedicado a pôr em prática a mensagem que na primeira vinda Jesus nos trouxe: o amor. A pensar nas diversas presenças de Jesus: na Palavra, na Eucaristia, nas assembleias reunidas em seu nome, nos outros.

4. O Advento é um tempo marcado pela sobriedade: no adorno da igreja, na música, na vida de cada um. Na Missa não há Glória. Os paramentos são roxos, exceto no terceiro domingo, Gaudete (alegrai-vos), em que podem ser cor de rosa. É um convite ao recolhimento.

A vivência do Advento deve ser caraterizada pela prática de quatro virtudes: a fé vigilante, a alegre esperança, a conversão contínua, o testemunho cristão.

5. Advento, preparação para o Natal. Que Natal preparar?

O do nascimento de Jesus ou o do pai natal?

O de uma vivência cada vez maior do Evangelho, centrada no amor mútuo, ou o do consumismo?

O do exibicionismo e das prendas caras ou o da atenção aos mais carenciados, consciente de que os pobres todos os dias necessitam que lhes prestem atenção? 

Natal. Prendas. Jesus é a grande prenda que se nos deu. Não é melhor que, em vez de coisas, nos dêmos nós, vivendo a vida como serviço e doação aos outros?

6. Que a preparação do Natal motive uma reflexão sobre a Mensagem de Jesus e a sua vivência.

Que se prepare o Natal no coração de cada um, eliminando dele sentimentos que lá não devem estar. O verdadeiro presépio deve ser montado aqui.

É dever do cristão preparar o Natal do amor, da fraternidade, da reconciliação, da paz. E procurar que haja Natal todos os dias.



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